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Uma Noiva



A Bíblia nos traz várias comparações para falar da igreja. Isso para um melhor entendimento dos seus leitores sobre esse poderoso mistério divino: a igreja. Ela fala de “construção de Deus”, “corpo de Cristo”, “rebanho do Senhor”, “sacerdócio real”, “povo santo”, entre outros. Porém o que mais me chama a atenção é quando se refere à igreja como a noiva de Cristo. Que comparação interessante.
A noiva tem um compromisso muito sério com o noivo. Ela deve estar em relacionamento de amor com o noivo, que é Cristo. Por momentos tenho a impressão que deixamos de sentir amor pelo noivo. Não falamos mais tanto assim dele. Não temos mais tanto interesse em relacionamento com Ele. O relacionamento que temos é de necessidade. Isso não é amor. Amor é uma decisão. Não importa o que acontecer, continuarei amando Jesus Cristo.
Mas, por outro lado fico pensando na noiva. Isso mesmo, na noiva. Os textos bíblicos nos falam de uma noiva e não de duas noivas ou mais noivas. Pelo que parece Jesus vai vir buscar mais de uma igreja. O que estamos vendo hoje no que diz respeito a “igrejas” como denominações é uma vergonha. Tem igreja pra tudo quanto é tipo e gosto. Tem igreja radical, tem igreja liberal, tem igreja pra surfista, tem pra empresário, tem pra depressivo, tem pra homossexual e por ai vai a lista. O pior de tudo isso é que tem igreja pregando “outro” evangelho. Não me preocupa o fato de existirem igrejas para determinados grupos étnicos, desde que estejam pautados em doutrinas bíblicas, o que me preocupa são estas aberrações de evangelhos que pregam por ai. Evangelho da prosperidade, evangelho da libertação, da libertinagem, entre outros. Evangelhos que em nenhum momento Cristo está no centro. O centro tem sido o dinheiro, o egoísmo, o interesse próprio, o espírito da nova era.
Porém o dia está chegando onde veremos a diferença entre quem serve a Deus e quem não serve a Deus. Jesus vem buscar uma só igreja. Uma só noiva vai para as bodas do Cordeiro. Lamentavelmente muitos que realizam milagres e que professam o nome de Cristo serão barrados na entrada da “festa”: Me desculpem, eu não vos conheço!, Dirá o Senhor. Porém à noiva imaculada do Cordeiro se abriram as portas e seremos recepcionados para o gozo eterno de nosso Salvador. Aleluia.
É hora de vigiarmos e cair de joelhos clamando a Deus: Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Boaz Alberto

Igreja: Comunidade restauradora




Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. - Gálatas 6:1-2

Devo ajudar meu irmão a carregar sua “carga”? Sim. O texto de Paulo nos fala diretamente que devemos levar as cargas uns dos outros. Mas, qual a carga? Pecado. O que? Pecado? Sim. Paulo está falando de pecado. Como posso levar o pecado de meu irmão? De forma simples e prática ao evangelho. A igreja é formada de pecadores arrependidos. Pecadores que não estão mais debaixo do jugo do pecado, mas estão suscetíveis a cometê-lo. Dessa forma quando algum de nossos irmãos pecar devemos ajuda-lo nesse momento com auxilio espiritual e calor humano dentro de cada necessidade. Esta é a Lei de Cristo conforme Paulo recomenda. Essa nova lei abrange todos os “gomos” do fruto do Espírito e cumpre o dever do cristão com Deus e com o próximo. Parece engraçado, mas como componentes de uma igreja temos um sentimento diferente. Geralmente rechaçamos o irmão pecador e por incrível que parece “excluímos” o mesmo de dentro de nossas comunidades. Isso é fato. O que devo fazer então, quando um de meus irmãos é surpreendido pelo pecado? Paulo recomenda que quando isso acontecer, os espirituais devem restaurar essa pessoa com espírito de humildade. Ou seja, não vamos ajuda-la com sentimento de superioridade e nem coloca-lo em sentimento de inferioridade por causa do pecado. Mas estamos cumprindo o nosso dever como igreja.
Restaurar é uma palavra grega usada em duas ocasiões:
1. Na medicina. Os médicos usavam esta palavra para se referir a colocação de um osso que foi deslocado em um braço, por exemplo, e precisa ser colocado no lugar para que o braço passe a funcionar perfeitamente e sem dores. A igreja tem o dever de fazer o mesmo com seus membros que foram surpreendidos no pecado. Não adianta excluir, temos que concertar. Temos que colocar esse osso no lugar para que o corpo passe a funcionar de forma perfeita. Dessa forma percebe-se que para o braço funcionar perfeitamente é preciso que o osso esteja em seu lugar. O corpo de Cristo (igreja) não funciona de forma perfeita quando ossos ficam deslocados. Relacionamentos fora de lugar dentro do corpo prejudicam todo o sistema dele;
2. Na pesca. Restaurar era usado no momento em que era preciso concertar uma rede que estava furada. Uma rede furada não desempenha seu papel de “segurar” os peixes capturados em uma pesca. Da mesma forma a igreja não consegue desempenhar seu papel de “captar” novas vidas para o Reino quando a rede está furada. Precisamos concerta-la para que a pesca seja produtiva.
O tempo é de agirmos como igreja de verdade. Ajuda mutua para que o Reino de Deus seja glorificado e seu agir de forma eficaz num mundo de trevas e pecado.

Boaz Alberto

Secularização



Uma das mais importantes cidades da Ásia no contexto bíblico. O nome foi uma homenagem do imperador a sua esposa Laodice. Ela era famosa por três coisas: um sistema bancário poderoso; uma incrível escola medicinal, responsável pela fabricação do Pó Frígio (um poderoso colírio); a manufatura de lã preta que originava roupas belíssimas e de grande valor agregado.
Nesse contexto surge a igreja (já explicamos um pouco no artigo sobre Pérgamo). Acontece que a igreja, influenciada pelo contexto em que vive, relata suas “qualidades”: somos ricos e de nada temos falta. A igreja era indiferente. Tanto faz como tanto fez. Assim como uma cozinheira usa o sal para fazer a diferença no sabor dos alimentos, a igreja “serve” para fazer a diferença no mundo. Ela não pode ser indiferente as coisas que acontecem ao seu redor: homossexualismo, aborto, fome, guerras, indiferença social, corrupção, etc. Somos tão espirituais (ou achamos que somos) que não temos tempo para estas coisas. Quando pensamos assim é porque estamos mortos espiritualmente.
Agora é a vez de Jesus apontar as qualidades dessa igreja:
“ Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” Apocalipse 3:17.
Uma opinião nada condizente com aquilo que a igreja pensava ser. Totalmente o contrário! Que pena que estamos avaliando nossas igrejas com olhar de homens. Vamos mudar o receptor da pergunta: Jesus, o que o Senhor pensa de minha igreja? O que o Senhor pensa da Igreja da minha geração? Será que estamos com os bolsos cheios de dinheiro, com roupas caras e belas (parece desfile) e com os olhos arregalados para os atraentes benefícios do mundo, mas indiferentes à tudo o que Deus tem pra nós? Ou indiferentes pra tudo o que Deus quer de nós.
Pra Laodicéia havia um escape: arrependimento e zelo. Arrependimento é voltar atrás; fazer o que é certo; parar de fazer o que é errado. Zelo é paixão; inflexibilidade; fazer as coisas pra Deus com prazer e alegria.
Medite nisso.

Boaz Alberto

Despenseiros de Deus


Esse é nosso verdadeiro ofício como transmissores da palavra de Deus. Devemos de levar a palavra de Deus fielmente assim como ela é. Não podemos deixar de leva-la e nem perverte-la. Não podemos alterar aquilo que Deus nos manda falar. Temos que pregar não o que queremos ou o que sentimos no coração; temos que pregar a palavra de Deus, assim como Ele dissera. O bom pregador não prega palavras suas, mas palavra de Deus. Ele não cria mensagens, ele simplesmente a transmite. Não é um reservatório da mensagem, mas apenas um canal dela. A mensagem que pregamos não é nossa, mas vem de Deus. O despenseiro é um simples “garçom” de Deus. Ele não coloca a comida na despensa; ele a prepara e a coloca na mesa. Pra esse ofício é preciso fidelidade. Temos que colocar na mesa tudo aquilo que Deus colocou na despensa. Ele precisa anunciar o desígnio de Deus. Devemos pregar a Bíblia e toda a Bíblia. Não temos autorização de mudar a mensagem de Deus. Desqualificado! Essa é a qualidade do pregador que prega somente o que o povo quer ouvir. O papel do garçom não é ser popular, mas sim ser fiel. A tribuna de uma igreja não é local de relações públicas. Os bancos não podem mandar na tribuna. Precisamos pregar a verdade, independente de agradar aos grupos predominantes na comunidade. A igreja em momento algum é um mercado onde o cliente escolhe o que gostaria de comer. Que Deus venha a acordar os pregadores de nosso tempo. Pregadores em busca de fama e usando nossas tribunas como facilitador de relacionamentos públicos. Homens amantes de si mesmos, que pregam aquilo que faz o povo delirar em seus desejos. Deus não tem compromisso com este tipo de Homem. O compromisso de Deus é com sua palavra.


Boaz A. Sperber

Palavra de Deus, Já!



Estamos vivendo um tempo em que “igrejas” são “criadas” de várias formas e de qualquer jeito. Paulo tem uma advertência muito séria quando fala sobre a edificação da igreja. No texto de 1 Co 3:10ss Paulo salienta que existe somente um fundamento para a edificação da igreja e Ele é Cristo. Não existe outro. Fundamento se endente como aquilo que é fundamental, ou seja, sem isso não existi aquilo. Dessa forma podemos entender que somente temos igreja de verdade quando o fundamento é Cristo. Cristo é o centro da igreja. Porém a tarefa de edifica-la é nossa. Paulo que se enquadra como “um bom arquiteto” lança o fundamento. Aprendemos com esse termo que Paulo pregava a Cristo. O evangelho pregador por Paulo era cristocêntrico. Mas o texto continua falando que outros constroem por cima e logo após temos uma exortação que nos faz pensar um pouco sobre como estamos construindo a igreja. Paulo pede que cada um que está construindo por cima cuide COMO constrói. Somos os responsáveis por dar continuidade ao que foi estabelecido pelos apóstolos de Cristo. Nosso dever é continuar a construção já iniciada; ela não pode parar. O que preocupa é que essa construção tem tomado cada vez mais personalidade. A admoestação de Paulo é em cima do cuidado em como construir. Não podemos criar a igreja como queremos. Assim ela se tornará uma sociedade de pessoas moldadas por nossas opiniões e critérios. O que define a igreja é a Palavra. O que constrói a igreja é a Palavra. Onde existe Palavra existe igreja. Dessa forma não temos o poder de produzir igreja. Quem a torna uma realidade é a Palavra.
No nosso contexto temos visto e ouvido sobre “igrejas” que tem deixado a muito essa prioridade. A prioridade são os louvores, as apresentações teatrais, os testemunhos pessoais e coisas semelhantes. A Palavra? Ah sim, a Palavra... Se houver tempo disponível falaremos dela. Infelizmente igrejas como está estão afundando no fracasso de frieza e distanciamento da verdade. Igrejas onde os milagres tomam o tempo da Palavra; onde a experiência pessoal fala mais alto do que o teor da Palavra. Paulo já nos advertiu que nos últimos tempos apareceriam homens amantes de si mesmos; homens com os ouvidos voltados às fábulas. Enquanto isso o evangelho puro e simples que fala da cruz tem seus adeptos tachados como “antiquados” e “quadrados” para nosso tempo. Nosso tema diz o que precisamos saber e colocar em prática: A Palavra Cria a Igreja, ou, a Igreja é Criatura da Palavra.
Meu convite é para que voltemos à Palavra!

Saudação de Judas



Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo, a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados – Jd 1-2



JUDAS, IRMÃO DE TIAGO

Judas é irmão de Tiago que juntos são irmãos “carnais” de Jesus Cristo. Judas era um nome bem comum naquele tempo e para se diferenciar e criar um elo de ligação aos seus leitores, o autor se coloca como irmão de Tiago, o que lhe dá um certo prestígio e atenção entre seus leitores.


SERVO DE JESUS CRISTO          
A expressão servo que Judas usa pra seguir na apresentação, vem do grego doulos (doulos) e se traduz literalmente como servo/escravo. Essa associação que Judas faz de seu relacionamento com Cristo mencionando ele ser escravo do Senhor é um tanto quanto intrigante aos leitores em geral. Haviam bastante escravos naquele tempo e todos sabiam o que Judas estava dizendo. Ele estava simplesmente dizendo que era um ser humano que havia entregue seu corpo, sua vida, com todas as forças e capacidades produtivas para outra pessoa. Ou seja, ele agora se declara pertencente a seu senhor, no caso, Jesus Cristo. Judas qualifica-se desta forma sabendo e conhecendo quem Jesus era. Isso tem uma importância grande quando olhamos para o fato de Judas ser irmão de Jesus (biologicamente). Judas reconhece o senhorio de Cristo sob sua vida. Jesus se torna o kyrios (expressão grega para chamar de senhor) de sua vida. Ele reconhece que Jesus é o Senhor. Judas “pertence” a Jesus. Jesus o adquiriu das trevas, do poder de satanás colocando sob sua responsabilidade e cuidados através do sangue vertido na cruz do Calvário. Judas se intitula dessa forma com grande alegria. É prazeroso ser servo/escravo de Cristo. É importante salientarmos que o termo servo/escravo, está diretamente ligado com “serviço”. Logo podemos dizer que aquele que é servo/escravo deve logicamente estar em serviço. Nesse sentido o termo denota grande dedicação no serviço do servo ao seu senhor.

AOS CHAMADOS, AMADOS EM DEUS PAI
Os chamados são a “igreja”. Isso nos mostra como Judas “enxerga” a Igreja: sempre de forma teocêntrica, ou seja, centralizada em Deus. Em suma, Judas está nos mostrando que a igreja é caracterizada por pessoas que são chamados por Deus não por qualidades ou realizações, mas simples e puramente pelo chamado de Deus. A Igreja é o que é pelo agir de Deus no meio dela. Não são nossas obras ou méritos que nos qualificam a participar dela, mas entramos na congregação do Messias porque Deus nos elegeu e ordenou para estarmos nela. Praticamos obras sim, porque temos um compromisso diante de Deus e dos homens e dessa forma somos impulsionados pelo Espírito de Deus a sermos “pequenos cristos” (cristão) aqui no mundo onde vivemos. Precisamos resplandecer a glória de Deus aos homens. Toda essa eleição e vocação divina para o ser humano se dá de forma poderosa no amor de Deus. Somos amados não somente por Deus, mas em Deus. Isso é poderoso porque aponta um amor ágape, que mesmo antes de ser membros dessa comunidade de cristãos já contávamos com o amor de Deus por nossas vidas. Independente de nossa existência cristã o amor de Deus existe e se revelou em Cristo Jesus de forma magnifica na cruz.

GUARDADOS EM CRISTO JESUS
Um amor de verdade precisa ser expressado de forma verdadeira também. É assim que somos guardados/preservados em Cristo Jesus. Dessa forma, temos a certeza de que estamos sendo preservados em toda e qualquer situação de nossa caminhada cristã. A expressão fala que estamos sendo cuidados por Deus em Cristo para chegarmos ao final de nossa carreira com a fé assegurada. Que maravilhoso saber que Deus nos guarda com tanto carinho. Mas não é somente isso. Somos também guardados para Cristo. Essa nota tem alcance escatológico. Isto é, estamos sendo preservados para Cristo. Para o momento em Cristo vier buscar o povo santo, zeloso e que pratica boas obras.

 A MISERICÓRDIA, A PAZ E O AMOR, VOS SEJAM MULTIPLICADOS
Neste momento, Judas está anunciando a bênção para os destinatários da carta. O desejo de Judas era que Deus desse em rica medida aos seus destinatários misericórdia, paz e amor. Que anelo maravilhoso. Quem “puxa a fila” da bênção é a misericórdia que não é somente uma simpatia de Deus para conosco, mas foi evidenciada de forma literal e sacrificial na cruz através de Cristo. Somente por misericórdia divina Cristo se doou na cruz por nossos pecados. Ela demonstra claramente a dedicação fundamental de Deus a nós. A misericórdia é a manifestação exterior da piedade. Ela presume necessidade por parte daquele que a recebe e recursos adequados por parte daquele que a mostra.
A paz que foi desejada para os destinatários ainda hoje precisa estar presente em nossas comunidades. O termo hebraico shalom (paz) não tem somente um sentido meramente de paz sentimental, mas é ampliado de forma que podemos notar paz mesmo em meio a grandes tribulações e lutas. Temos, graças a Jesus, a paz que o mundo não tem. Jesus nos deu a paz que excede todo entendimento. Podemos ter paz mesmo em meio a guerra. Essa paz é evidenciada no nosso relacionamento com Deus e reflete de forma literal no nosso relacionamento com o próximo.
O amor. O amor é imprescindível. Ele é a base de nosso relacionamento com Deus e do relacionamento com nosso semelhante. Estas duas faces do amor são inseparáveis: não posso amar a Deus sem amar a meu irmão; e não tenho condições de amar meu irmão sem o amor de Deus. Diante disso podemos concluir que essas coisas não são “propriedades” nossas, mas são bênçãos advindas de Deus. Lembrando sempre que Deus deseja nos renovar abundantemente e diariamente com misericórdia, paz e amor.

Boaz Alberto Sperber

Cada um veja como Edifica


“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele “ 1 Coríntios 3:10
Paulo nos dá, no capítulo três desta primeira carta aos Coríntios, um ensinamento muito importante sobre a obra de Deus. Sobre essa construção poderosa chamada igreja. Tentando acabar com as divisões e partidarismos na igreja, ele nos mostra que não devemos de maneira nenhuma nos apoiar neste ou naquele pastor ou pregador, mas devemos de estar apoiados em Cristo, a grande pedra de esquina. O único alicerce da igreja ainda continua sendo Cristo, autor e consumador de nossa fé. Paulo se coloca como sábio arquiteto que colocou o fundamento nessa construção. Isso faz grande sentido quando analisamos a pregação de Paulo e sua conduta. A pregação se baseava na cruz de Cristo.
Mas, Paulo já foi e agora outros começam a edificar sobre esse fundamento. A advertência soa forte à mente quando o apóstolo dos gentios alerta que cada um que edifica deve olhar COMO edifica. Nossa responsabilidade como construtores desse edifício é muito grande. Paulo ainda nos traz alguns materiais que podem ser usados nessa construção. Podemos separa-los em duas classes: a) os celestiais – ouro, prata e pedras preciosas. São os elementos que colocados sobre fogo resistirão a ele. Podemos notar nitidamente quando alguém constrói com esses elementos. Onde eles estão presentes a obra é feita com amor, carinho, serviço; não existe competição e nem orgulho de qualquer coisa; a vontade de Deus é que conta e não o desejo humano. Por mais que a vontade de Deus seja incompreendida no momento, ela é obedecida e executada. b) os elementos humanos – madeira, palha e feno. São elementos que passados pelo fogo deixam de existir. Acabam. São elementos que caracterizam o desejo humano prevalecendo na obra de Deus; ciúmes, contendas, partidarismos, orgulho entre outros.
De que jeito estamos construindo? De forma duradoura. Com elementos do céu. Com estacas firmes e materiais divinos? Ou com matéria-prima humana. Coisas que o fogo vai destruir?
CADA UM VEJA COMO EDIFICA, sabendo que receberá de Deus conforme suas obras!



Boaz Alberto Sperber

Porque não frequento uma megaigreja (pra pensar)


Resisto à tendência das megaigrejas, preferindo lugares menores, longe dos holofotes. Nunca entendi completamente o porquê até descobrir por acaso esta observação paradoxal na obra Hereges, de G. K. Chesterton:
“O homem que leva a vida numa comunidade pequena vive num mundo muito mais amplo. (...) A razão é óbvia. Numa comunidade grande podemos escolher nossas companhias. Numa comunidade pequena nossas companhias estão escolhidas para nós.”
Precisamente! Podendo escolher, tendo a associar-me a gente como eu: gente com um diploma universitário, que bebe café na Starbucks, ouve música clássica e compra carros com base nas avaliações de consumo de combustível da Agência de Proteção Ambiental. No entanto, a companhia de gente como eu logo me aborrece. Grupos pequenos (e igrejas pequenas) me forçam a ficar lado a lado com todos os demais.
Henri Nouwen define “comunidade” como o lugar onde a pessoa com quem menos desejamos estar sempre está. Muitas vezes nos cercamos de gente com quem mais queremos conviver, e isso forma um clube ou uma panelinha, não uma comunidade. Qualquer um pode forma um clube; exige-se graça, visão compartilhada e trabalho duro para formar uma comunidade.
A igreja cristã foi a primeira instituição da história a reunir em pé de igualdade judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e homens livres. O apóstolo Paulo foi muito eloquente acerca desse “mistério que, durante épocas passas, foi mantido oculto em Deus”. Formando-se uma comunidade de membros diferentes, disse Paulo, temos a oportunidade de chamar a atenção do mundo e até mesmo do mundo além do nosso (Ef 3:9-10).
Sob alguns aspectos, a igreja fracassou tristemente nessa tarefa. (Concordo, Billy Graham, 11 horas de domingo é ainda a hora em que há mais segregação nos estados unidos). Mesmo assim, até igrejas em que 100% dos membros são brancos ou negros exibem diversidades de idade, educação e classe econômica. A igreja é o único lugar que eu visito que junta gerações: bebês que ainda mamam, crianças que contorcem e sufocam risos nos momentos menos adequados, adultos responsáveis que sabem como agir apropriadamente em todas as ocasiões e idosos que cochilam se o pregador estica demais o sermão.
Procuro deliberadamente uma congregação que inclua gente não igual a mim e percebo que é mais difícil evitar gente assim em igrejas menores.

Philip Yancey – Sinais da Graça – pág. 167.
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