Porque não frequento uma megaigreja (pra pensar)
Resisto à
tendência das megaigrejas, preferindo lugares menores, longe dos holofotes.
Nunca entendi completamente o porquê até descobrir por acaso esta observação
paradoxal na obra Hereges, de G. K. Chesterton:
“O homem
que leva a vida numa comunidade pequena vive num mundo muito mais amplo. (...)
A razão é óbvia. Numa comunidade grande podemos escolher nossas companhias.
Numa comunidade pequena nossas companhias estão escolhidas para nós.”
Precisamente!
Podendo escolher, tendo a associar-me a gente como eu: gente com um diploma
universitário, que bebe café na Starbucks, ouve música clássica e compra carros
com base nas avaliações de consumo de combustível da Agência de Proteção
Ambiental. No entanto, a companhia de gente como eu logo me aborrece. Grupos
pequenos (e igrejas pequenas) me forçam a ficar lado a lado com todos os
demais.
Henri
Nouwen define “comunidade” como o lugar onde a pessoa com quem menos desejamos
estar sempre está. Muitas vezes nos cercamos de gente com quem mais queremos
conviver, e isso forma um clube ou uma panelinha, não uma comunidade. Qualquer
um pode forma um clube; exige-se graça, visão compartilhada e trabalho duro
para formar uma comunidade.
A igreja
cristã foi a primeira instituição da história a reunir em pé de igualdade
judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e homens livres. O apóstolo Paulo
foi muito eloquente acerca desse “mistério que, durante épocas passas, foi
mantido oculto em Deus”. Formando-se uma comunidade de membros diferentes,
disse Paulo, temos a oportunidade de chamar a atenção do mundo e até mesmo do
mundo além do nosso (Ef 3:9-10).
Sob
alguns aspectos, a igreja fracassou tristemente nessa tarefa. (Concordo, Billy
Graham, 11 horas de domingo é ainda a hora em que há mais segregação nos
estados unidos). Mesmo assim, até igrejas em que 100% dos membros são brancos
ou negros exibem diversidades de idade, educação e classe econômica. A igreja é
o único lugar que eu visito que junta gerações: bebês que ainda mamam, crianças
que contorcem e sufocam risos nos momentos menos adequados, adultos
responsáveis que sabem como agir apropriadamente em todas as ocasiões e idosos
que cochilam se o pregador estica demais o sermão.
Procuro
deliberadamente uma congregação que inclua gente não igual a mim e percebo que
é mais difícil evitar gente assim em igrejas menores.
Philip
Yancey – Sinais da Graça – pág. 167.







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