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Quem é Jesus?



 E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? Perguntou Jesus. – Mt 16:15 (NTLH)

Essa é uma pergunta que causa respostas diversas dentro da sociedade pós-moderna. As opiniões relativas a quem é Jesus são inúmeras: profeta, um grande exemplo, expressão máxima de amor, enfim, várias são as respostas. Mas, lendo calmamente a pergunta de Jesus aos seus discípulos, sinto um tom de insegurança em Jesus querendo saber o que os discípulos pensavam a seu respeito. Essa insegurança foi-me desfeita quando passei a meditar e estudar no texto. Jesus tinha um profundo interesse em saber qual era a opinião de seus seguidores a seu respeito. Eles já tinham uma opinião formada. Era um tempo considerável de convívio e já havia alguma intimidade. Mas porque está pergunta é tão importante? Por um simples fato: ele define minha salvação. Isso mesmo, ela define a base de minha salvação. O fato se torna ainda mais importante na pergunta, porque antes da opinião dos seus seguidores, Jesus questiona-os sobre a opinião dos outros. E as respostas são muitas: Elias, Jeremias, João Batista (não vou me deter em cada uma dessas comparações). E agora os doze são questionados sobre suas opiniões. Era como se Jesus estivesse dizendo: Legal! E vocês tem o mesmo pensamento? O que vocês pensam de mim? Vocês estão dispostos a andar na contra mão da opinião pública? Tem coragem de ter uma opinião própria e pessoal sobre mim? O fato mais interessante é que sobre a opinião da população “eles” responderam e agora na opinião própria, “somente” Pedro revela a opinião sobre quem é Jesus. A resposta de Pedro não poderia ser mais precisa. Acho que foi o melhor momento de Pedro no seu discipulado. – O Senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo. – Disse Pedro. Que opinião poderosa e importante. Pedro está dizendo que Jesus não era simplesmente um homem com o Espírito de Deus. Que não era somente um profeta ou algo parecido. Ele disse que Jesus era “o” Filho do Deus vivo. O único Filho legítimo. Filho que não foi criado por Deus, mas que é a expressão do próprio Deus. Jesus é o “messias”: o libertador anunciado em todo o Antigo Testamento e que era aguardado de forma anciosa por todos. E que isso tem? Isso tem que somente através Dele podemos adquirir a vida eterna. Ele é Deus conosco; a solução de meu relacionamento com o próprio Deus. O local da pergunta é de muita importância: Cesaréia de Filipe. Era um distrito altamente idólatra. Baal (deus cananeu da fertilidade) e Pan (deus romano da fertilidade) estavam em todos os postes ídolos no local onde estavam os discípulos com Jesus. É bem possível que muitos estavam ali adorando diante dos postes ídolos e Jesus leva-os até este local propositalmente. Diante de muita adoração pagã a pergunta se torna ainda mais enfática e reflexiva: quem Sou Eu pra vocês, diante disso tudo? É diante de nossas maiores “paixões idólatras” que precisamos responder essa importante pergunta de Jesus. É justamente quando estamos diante de nossa idolatria por ícones esportivos, famosos da TV, bens materiais que nos levam ao delírio, fama, diante dessas coisas que mexem com todo nosso ser que devemos responder a pergunta de Jesus. Jesus não pode ser menos que o Cristo, o Filho do Deus vivo em sua vida.

Boaz Alberto

Poço furado


No relacionamento de Deus com Israel, sempre houve histórias e fatos que marcam nossas leituras no Antigo Testamento. É impressionante o cuidado que Deus tem com o Israel do Antigo Testamento. Desde o livramento do Egito, a caminhada pelo deserto, o maná que caia com o orvalho todos os dias, a água que jorrava da rocha, as roupas e calçados que não terminavam, enfim, é uma história incrível de um Deus cuidadoso com seu povo. O povo teve a oportunidade de um relacionamento ímpar com Deus e não aproveitou esse momento. Ao contrário o povo se afastou de Deus de forma idólatra e carnal. O texto de Jeremias 2:13 relata bem o que Israel fez com o Senhor nosso Deus. O povo estava vivendo com o “manancial” de águas e o trocou por cisternas rotas. Uma comparação bem interessante. O que Deus quer dizer é que o povo tinha com Deus, água limpa, pura, coisa boa. O manancial era uma fonte que jorrava água todos os dias. Não era água parada que se acumulava em poços quando chovia. Era uma nascente que “produzia” água a todo o momento. A vida com Deus é assim: uma fonte de águas novas a todo o momento. Uma fonte tão poderosa que nos alimenta diariamente e ainda nos leva a jorrar água aos que estão próximos a nós. Israel, não percebendo isso, cometeu dois pecados com este manancial: 1. Abandonou o manancial de águas vivas. Ainda hoje muitas pessoas, abandonam Cristo, o manancial de águas vivas. Largam a fonte da vida e do vigor. 2. Cavam pra si cisternas rotas. Cisternas são poços cavados pelo Homem para armazenar água da chuva. Essa água pode saciar a sede, mas ela conta com a sujeira que é trazida com a água escorrendo pelos montes e valados para dentro do poço. Além disso, a água fica parada dentro do poço, sofrendo a ação do sol e de outras intempéries. Se isso não fosse o suficiente na comparação, essa cisterna era rota, isto é, rachada. Era uma cisterna furada. Além de ser água da chuva que se acumulava, o poço estava furado. Não podia sustentar a água acumulada da chuva. Que problema pra um povo que depende de água para sobreviver.
Pessoas fazem o mesmo hoje. Sem se dar conta, largam Jesus e correm atrás de outros “fenômenos” espirituais e no fim percebem que abandonaram o manancial de águas e construíram para si cisternas rotas que não saciam a sede como deveria. Poços furados que não armazenam aquilo que cai dentro deles.
Tem um jeito de mudar isso: abandone esse poço furado e corra pra o manancial de águas, Ele está disponível ainda hoje pra você. Jesus te espera ainda!



Boaz A. Sperber

Eu também não te condeno


 
Era a festa dos Tabernáculos. A data era de muita importância para os judeus, pois lembrava a importante data em que o povo morou em tendas no deserto sendo sustentado por Deus após o milagroso episódio do Êxodo. No último dia acontecia uma importante cerimônia que consistia em procissão até o tanque de Siloé onde água era tirada do tanque, colocada em jarros de ouro e logo depois todos caminhavam rumo ao templo. Esse cerimonial apontava para a água fornecida por Deus em Êxodo 17, no deserto de Sim. Acontece que Jesus toma a atenção de todos os que participavam do cerimonial quando se coloca de pé e clama dizendo que ele era a água da vida e todo aquele que bebesse dessa água jamais tornaria a ter sede. Que escândalo! Jesus estava dizendo que ele era a água que Deus manda pra matar a sede em meio ao deserto. Não somente isso, Jesus vai além quando diz que jamais teriam sede depois de beber “dele”. Pra os fariseus bastava. Já era demais. Esse episódio gera uma grande contenda entre todos e o que se queria era arrumar uma forma de surpreender Jesus em algum delito grave. Como fazer isso? Bom, o dia já estava declinando e era momento de descansar. Todos vão para suas casas enquanto Jesus vai para o monte. Na madrugada do dia seguinte, Jesus (como bom professor) está cedo nas escadarias do templo esperando a multidão que ansiosamente ouviria seus ensinos. A multidão cerca Jesus para ouvir suas palavras de vida e no meio do estudo, os fariseus aparecem com uma mulher que foi supostamente pega em ato de adultério. Sim, pega em ato de adultério. Algumas perguntas me surgem: 1. Como os fariseus podiam saber exatamente onde estava acontecendo um adultério? 2. Se soubessem onde havia um adultério, como poderiam saber exatamente o momento de consumação do ato? 3. Onde está o homem que adulterava com a mulher? Na Lei, ambos devem ser apedrejados e mortos diante de comprovação da acusação. Alguns fatos são importantes: de acordo com os rabinos a pena para este crime era dura e havia classificações de acordo com o grau: a. adultério com mulher casada: apedrejamento; b. adultério com filha de sacerdote: queimava-se a pessoa; c. adultério descoberto no ato das núpcias do casamento: estrangulamento. Apesar destas duras penas previstas no código penal, os rabinos queriam que isso ficasse apenas na ordem teórica. Na ordem prática essas penas não eram aplicadas. O criminoso só era realmente sentenciado a receber a pena máxima quando ele dizia o seguinte: Eu sei e não me importo; eu assumo as consequências. Caso isso não fosse ouvido, como forma de substituir a pena máxima era usado o açoite.  O fato era que uma mulher estava sendo humilhada em local público diante de muitas pessoas e Jesus seria o responsável por estabelecer um julgamento. O que fazer? Se autorizasse o apedrejamento, Jesus estaria se comprometendo com as leis romanas e seria preso por autorizar a morte de uma pessoa, ato somente autorizado pelo governo romano. Se liberasse a mulher estaria infligindo a Lei de Moises e arrumaria um sério problema com os fariseus. Enfim, as pedras estavam nas mãos dos fariseus de uma forma ou de outra. Quem seria apedrejado? Jesus é claro. Jesus calmamente escreve na poeira sobre as escadarias e depois de muita insistência por parte dos fariseus, se dirige aos “acusadores” autorizando jogar pedras, porém, depois de uma análise: atire a primeira pedra aquele que não tem pecados. O que se vê é uma cena poderosa: todos, começando dos mais velhos e chegando aos mais novos, vão largando suas pedras e indo embora. Jesus está de cabeça baixa e continua escrevendo na poeira. A mulher adúltera está completamente constrangida. Constrangida? Sim, constrangida. Mas, com o que? Com o amor de Jesus. Ninguém trata uma pessoa pega em ato de adultério dessa forma. Esse fator se expressa de forma incrível quando Jesus percebe que ela não havia ido embora. Ela ficou justamente no local onde fora colocada no início da acusação. E por que não aproveitou e foi embora? Porque dentro do seu coração estava acontecendo uma mudança imensurável. Ele estava tendo um encontro com alguém que não tem prazer de apontar o dedo e citar pecados, mas que tem prazer de dizer: Eu também não te condeno. Jesus era o único que poderia acusar e condenar aquela mulher e não o fez. Mas como? Ela não era adúltera? Sim. Mas não era mais necessário apontar os defeitos daquela mulher. Isso já foi feito através dos fariseus. O que Jesus faz é constrangê-la a mudar de vida através de seu profundo amor. Ahhh, Jesus concluiu: Não peques mais.
O que me faz mudar de vida e abandonar a vida de pecado é o grande amor de Deus. Ele me constrange a uma mudança de atitudes.

Boaz A. Sperber

Afinal, o que é misericórdia?


Do grego eleos (eleos), ela pode ser definida de forma simples e clara como a “manifestação exterior de piedade”. Ela denota necessidade por parte daquele que a pede/recebe e por outro lado, aponta para a capacidade de recursos por parte daquele que a demonstra para satisfazer essa necessidade. É usada em relação a Deus quando falamos que Deus é rico em misericórdia:
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou – Ef 2:4.
Nesse texto de Efésios podemos notar a capacidade de Deus em ser misericordioso para conosco. Através dessa misericórdia divina é que nos foi provida a salvação:
Não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo – Tt 3:5.
Notamos no texto de Paulo a Tito que o ser humano não garante sua salvação através de suas boas obras, mas através da expressão de misericórdia de Deus. Essa misericórdia se prolonga de geração em geração na vida daqueles que servem (temem) a Deus – Lc 1:50. Notadamente observamos nos textos citados que o Homem por mais reto e integro que seja, é dependente da misericórdia de Deus. Sendo assim, as Escrituras nos ensinam de forma corajosa orar em busca da misericórdia de Deus:
Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno. – Hb 4:16.  
Paulo em suas cartas comumente desejava que seus leitores fossem grandemente alcançados por esta misericórdia:
A Timóteo, meu verdadeiro filho na fé: graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor. – 1Tm 1:2.
E a todos quantos andarem conforme esta norma, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus. – Gl 6:16.
A misericórdia de Deus para conosco tem seu ponto culminante na vida de Jesus, momento em que a salvação há de se completar. Misericórdia sempre é o ato de Deus de manifestar seu amor e traz como resultado na vida do Homem a paz. Com exceção de Gl 6:16, todos os outros textos bíblicos que falam de misericórdia e paz, os colocam nesta sequencia. Sempre vem a misericórdia que traz a paz. Dessa forma, a paz é a experiência no coração do homem resultante da misericórdia de Deus. Misericórdia é a atitude de Deus para com aqueles que estão em angústia. Nesse sentido, podemos dizer que somente os que foram alcançados pela graça (graça é a ação de Deus em direção ao perdido/rebelde/pecador) podem de verdade serem alcançados pela misericórdia que traz paz ao coração. Graça sempre vem antes da misericórdia no propósito salvívico de Deus. Podemos perceber isto nas saudações apostólicos nas cartas:
Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo.- 1Tm 1:2
A Timóteo, amado filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus nosso Senhor.- 2Tm 1:2
A Tito, meu verdadeiro filho segundo a fé que nos é comum, graça e paz da parte de Deus Pai, e de Cristo Jesus, nosso Salvador.- Tt 1:4
Porém a misericórdia não é somente uma manifestação exterior de piedade de Deus para com o Homem. O Homem também é agente de misericórdia, visto que ele à recebeu de Deus e agora tem o dever de demonstrar piedade para com seu próximo. Vejamos alguns textos:
Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.- Mt 9:13.
Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes.- Mt 12:7.
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.- Mt 23:23.
Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo.- Lc 10:37.
Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo.- Tg 2:13.

Boaz Alberto Sperber


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