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Deserto



Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo - Mateus 4:1

O Espírito levou Jesus ao deserto? Isso mesmo. É como se o Espírito não deixasse alternativa pra Jesus. Jesus, como servo, foi. A Bíblia nos traz muitas passagens sobre o deserto. Adão e Eva, quando expulsos do paraíso foram para uma terra seca e árida (deserto), o povo de Israel passou aproximadamente quatro décadas no deserto, Jesus foi levado ao deserto, enfim, não nos faltam leituras sobre esse importante tema. O deserto nos passa uma noção bem clara de escassez, solidão, medo, variação brusca de ambiente. O deserto é isso.
Porque Deus insiste tanto em colocar diante de nós, seres humanos, desertos? Um dos mais importantes motivos é que o deserto nos leva a estarmos a sós com Deus. É no deserto que nos conhecemos. Nele, não adianta ter um carrão do ano, boas roupas, uma faculdade, um bom emprego, nada disso tem importância no deserto. Incrível, e você vai saber exatamente o que vou dizer agora: quando estamos no deserto, nos sentimos como se estivéssemos desarmados, nus, sem ter o que fazer. É um encontro pessoal meu comigo e com Deus ao mesmo tempo. É nesse momento que entendemos exatamente quem somos. Foi assim com Jacó e é assim conosco. Mas a pergunta é: porque Deus permite isso? Porque somente através do deserto reconhecemos que precisamos de Deus. Somente o deserto nos apresenta nossas debilidades e nossas necessidades. Somente o deserto tem o poder de mudar nossa mentalidade e transforma-la de acordo com a mente de Cristo. Portanto o deserto é algo dolorido, porém bom. O deserto tira nossa máscara. Aquela máscara que criamos na sociedade, diante dos amigos. Aquele personagem que criamos e sabemos que não existe de verdade, cai no deserto. No deserto é somente você e Deus. É o momento mais importante de sua vida. É o momento em que você se encontra com Deus. Jacó fugiu a vida inteira. Aliás, uma vida de engano e trapaças. E foi justamente no deserto que ele encontrou-se com o Deus que transformou a sua vida. Jacó deixou de existir e agora uma nova pessoa surge: Israel.
O Espírito vai te levar pra o deserto! Diga boas-vindas a ele… Sua vida vai mudar!

Tudo Errado!




A doença tá no corpo de quem tem pecado!
Você não prospera? Deve ter algum pecado escondido ou a oferta está pouca!
Tá andando de carro velho? A tua fé é muito pequena!
Tá sofrendo, deve ter um encosto ai!
Você já deve ter ouvido ou lido frases desse tipo. É a “moda” de muitos “sacerdotes” evangélicos por ai. Fico pensando o que falariam de Jesus Cristo. Nasceu em casa humilde. Trabalhou arduamente com seu pai até chegar o momento de “expor” seu ministério. Dai pra frente à coisa fica um pouco mais acentuada. O seu primeiro sermão (Mt 5), o sermão do monte fala que o Reino dos céus é dos pobres e dos que sofrem perseguição por causa da justiça. Promete consolo aos que choram, fartura aos que tem fome de justiça, misericórdia aos que são misericordiosos. Estanho! O evangelho de muitos hoje não se parece nem um pouco com o anunciado por Jesus Cristo. Com certeza diriam que ele tem encosto. Diriam que a sua dor era resultado de pecado.
Porque temos o costume de combater essas “coisas ruins” (dor, perseguição, pobreza, etc.) como se fossem coisas resultantes de pecado? Jesus sentiu dor, passou fome, esteve sozinho, mas não pecou. Em nenhum momento Deus nos garante que estaríamos livres dessas coisas, pelo contrário, Ele nos dá garantias de passarmos por tudo isso enquanto aqui estivermos. Sentimos a dor, o escárnio, a perseguição como uma ofensa. Quando Jesus está no Getsêmani ele tem a mesma impressão por um momento nas palavras que pronuncia pedindo que Deus afaste Dele aquele momento. Isso é o que fazemos sempre, todos os dias. Todavia, Ele estava disposto a sofrer para um bem maior. Ele decide passar por tudo e colocar-se submisso a Deus Pai para um objetivo superior. Ele entrega a decisão de morrer ou não nas mãos de Deus. Deus é quem decide.
O profeta Isaias (cap. 53) descreve como era Jesus muitos antes de Ele estar entre nós. Ele era um homem que não tinha formosura, sofrido, homem de dores. O castigo que te traz a paz estava sobre Ele e pelas pisaduras Dele nós somos sarados. Ele passou por tudo isso e venceu. Você precisa passar por tudo isso e vencer também. O que não pode ficar doente é seu caráter. O que não pode estar pobre é sua vida espiritual. Minha prosperidade é adquirir um tesouro no céu. O reino dos Céus é pra esse tipo de pessoas.
Ainda temos tempo para arrumar tudo isso!

Boaz Alberto

Amor incondicional


Nada que possamos fazer para Deus nos amar mais e nada que possamos fazer para Deus nos amar menos. Esse é o mais perfeito conceito que conhece de graça. Deus nos ama apesar de nossas transgressões. Deus nos ama apesar de nossos pecados. O amor Dele é incondicional. Ou seja, não existem condições impostas por ninguém, que faça Deus mudar seu amor para mais ou menos. Independente da malícia do Homem; independente de nossa corrupção moral e de nossa violência em todos os sentidos, o amor de Deus continua sendo o mesmo. Isso não significa que Deus não se importa com nossos pecados, pelo contrário, Ele se importa sim com nossos pecados. É por esse motivo que Ele manifesta sua ira. É por se importa que Ele ainda hoje fala conosco nos exortando sobre o que não devemos fazer e porque não devemos fazer. Deus faz isso de várias formas: pregação da palavra, anúncios da natureza (fenômenos destrutivos), entre outros. Mas tudo isso é melhor compreendido na cruz. Nela Deus fala-nos das duas verdades que envolvem nosso relacionamento com Deus: amor e ira. Na cruz manifesta-se toda a ira de Deus em Cristo que por amor se entrega. Aleluia! Que graça poderosa. Essa graça é derramada de forma plena onde ocorre o arrependimento. Ou seja, quando me volto aos pés dessa cruz que manifestou meus pecados e me mostra o amor incondicional de Deus por minha vida. Se o pecado provoca a ira de Deus, o arrependimento desperta Sua compaixão. Se o pecado me aponta o juízo, o arrependimento abre as portas da salvação.
 
Boaz A. Sperber

Muita condenação e pouca graça


 


Me assusta a forma como muitas igrejas tem se portado levando a mensagem de salvação a outros povos. Encontro em muitas dessas mensagens muita condenação e nenhum espaço pra graça de Deus. O livro de Jonas tem uma mensagem antiga, mas que é atualíssima. O sermão medíocre pregado por Jonas tinha apenas cinco palavras e elas apresentam como o profeta tinha desejo de ver a grande cidade de Nínive destruída. Afinal, a cidade em geral era pecadora ao extremo. A mensagem do profeta era que em quarenta dias a cidade seria destruída. As palavras de Jonas saem de sua boca como fogo; fogo que não ardia em compaixão dentro de seu coração. Ele queria a destruição do povo e não a salvação deles. Interessante que o profeta foi alvo da misericórdia e salvação de Deus. Recordando: ele foi salvo de dentro de um grande peixe que o salvou de uma tempestade em alto mar e depois recebeu uma segunda chance de Deus. Parece que Jonas não se lembra disso. Jonas tem sentimentos mesquinhos e hedonistas. Recebeu o favor de Deus e agora não quer ser o instrumento dessa graça maravilhosa na vida de outras pessoas. No seu sermão de juízo e condenação a janela da esperança está simplesmente fechada. É o que se faz hoje por muitos pregadores: colocam tanto medo e desespero na vida das pessoas que eles não conseguem ver uma solução pra o problema do pecado. Este tipo de evangelho condenatório que está sendo pregado é um “meio sermão evangélico”. O sermão completo apresenta a condenação, mas sempre traz um escape pela janela da graça. Assim como muitos hoje, Jonas trovejou a lei, mas não ofereceu uma gota sequer da chuva restauradora da graça de Deus. Em tudo isso glorifico a Deus porque não temos domínio sobre a mensagem de Deus. Jonas pregou condenação e o povo entendeu arrependimento. Aleluia! Jonas prega pra morte e o povo enxerga por si, um caminho para a vida. Quantas pessoas que foram jogadas (literalmente) pra fora de nossas comunidades porque cometiam alguns atos que, segundo os legalistas, era pecado: cortar cabelo, usar maquiagem, usar jóias, jogar futebol, entre outros. Essas pessoas eram simplesmente jogadas pra fora da comunidade como se fossem os piores pecadores. Meu pai conta um fato acontecido em sua juventude que ainda hoje me assusta. Diz ele, que certo pastor disciplinou um determinado irmão da igreja e o proibiu de frequentar os cultos (quando ele deveria de frequentar os cultos mais do que nunca). Um determinado dia, o porteiro chama o pastor e pede pra que ele o acompanhe até a lateral da igreja e olhe debaixo do assoalho e veja com os próprios olhos uma sena comovente: o irmão disciplinado estava debaixo da igreja com joelhos dobrados e boca no pó chorando por misericórdia. O pastor chama o irmão, o abraça chorando e os dois entram na igreja. Ainda hoje atitudes semelhantes estão sendo tomadas; cristãos que são disciplinados e que não recebem um “tratamento” para o problema. Muitos não têm mais força pra dobrar os joelhos e chorar por misericórdia. Eles simplesmente desistem da vida de fé por cauda da igreja. É tempo de mudar isso. A chuva da graça está caindo e temos que fechar o guarda-chuva do legalismo e do sermão condenatório. Que o povo se encharque nessa chuva que cai do céu.
 

Boaz A. Sperber

O Deus da segunda chance

É impressionante a misericórdia de Deus. Ela vai além de nosso sentido humana do termo. Deus tem prazer na misericórdia. Ele está sempre pronto a ser dar uma segunda chance. Foi assim com Abraão que fugiu para o Egito e lá mentiu dizendo que sua esposa era sua irmã. Mas Deus lhe deu outra chance. Jacó mentiu pro pai, enganou o irmão e viveu tentando enganar a própria consciência. Porém um dia, Deus proporcionou um encontro que mudaria sua vida. A luta foi em Peniel. Jacó lutou com Deus saiu aleijado, mas com o nome mudado para Israel salvando assim sua alma e transformando seu caráter. Moisés matou um homem e teve que fugir para o Egito, mas Deus deu-lhe uma segunda chance o chamando para liderar seu povo. Davi cometeu diversos e terríveis pecados: adultério, mentira, assassinato entre outros. Mas Deus estava sempre pronto a lhe dar uma segunda chance quando Davi se arrependia de coração. Jonas fugiu da presença de Deus porque não queria pregar aos ninivitas. Deus o socorre de dentro do grande peixe e restaura sua vida e seu ministério. Pedro, o discípulo, negou Jesus três vezes chegando a desistir de Jesus. Mas Jesus nunca desistiu de Pedro. Jesus foi ao encontro de Pedro na beira da praia e lhe concedeu uma segunda chance. O nosso Deus é o Deus da segunda chance. George Morrison, diz que a vida cristã vitoriosa é uma série de recomeços. Quando caímos, o inimigo quer que acreditemos que tudo acabou, mas nosso Deus é o Deus das segundas chances. Ainda hoje ele quer escrever o relato de uma segunda chance concedida: em sua vida... Aproveite!

 

Boaz A. Sperber

Eu também não te condeno


 
Era a festa dos Tabernáculos. A data era de muita importância para os judeus, pois lembrava a importante data em que o povo morou em tendas no deserto sendo sustentado por Deus após o milagroso episódio do Êxodo. No último dia acontecia uma importante cerimônia que consistia em procissão até o tanque de Siloé onde água era tirada do tanque, colocada em jarros de ouro e logo depois todos caminhavam rumo ao templo. Esse cerimonial apontava para a água fornecida por Deus em Êxodo 17, no deserto de Sim. Acontece que Jesus toma a atenção de todos os que participavam do cerimonial quando se coloca de pé e clama dizendo que ele era a água da vida e todo aquele que bebesse dessa água jamais tornaria a ter sede. Que escândalo! Jesus estava dizendo que ele era a água que Deus manda pra matar a sede em meio ao deserto. Não somente isso, Jesus vai além quando diz que jamais teriam sede depois de beber “dele”. Pra os fariseus bastava. Já era demais. Esse episódio gera uma grande contenda entre todos e o que se queria era arrumar uma forma de surpreender Jesus em algum delito grave. Como fazer isso? Bom, o dia já estava declinando e era momento de descansar. Todos vão para suas casas enquanto Jesus vai para o monte. Na madrugada do dia seguinte, Jesus (como bom professor) está cedo nas escadarias do templo esperando a multidão que ansiosamente ouviria seus ensinos. A multidão cerca Jesus para ouvir suas palavras de vida e no meio do estudo, os fariseus aparecem com uma mulher que foi supostamente pega em ato de adultério. Sim, pega em ato de adultério. Algumas perguntas me surgem: 1. Como os fariseus podiam saber exatamente onde estava acontecendo um adultério? 2. Se soubessem onde havia um adultério, como poderiam saber exatamente o momento de consumação do ato? 3. Onde está o homem que adulterava com a mulher? Na Lei, ambos devem ser apedrejados e mortos diante de comprovação da acusação. Alguns fatos são importantes: de acordo com os rabinos a pena para este crime era dura e havia classificações de acordo com o grau: a. adultério com mulher casada: apedrejamento; b. adultério com filha de sacerdote: queimava-se a pessoa; c. adultério descoberto no ato das núpcias do casamento: estrangulamento. Apesar destas duras penas previstas no código penal, os rabinos queriam que isso ficasse apenas na ordem teórica. Na ordem prática essas penas não eram aplicadas. O criminoso só era realmente sentenciado a receber a pena máxima quando ele dizia o seguinte: Eu sei e não me importo; eu assumo as consequências. Caso isso não fosse ouvido, como forma de substituir a pena máxima era usado o açoite.  O fato era que uma mulher estava sendo humilhada em local público diante de muitas pessoas e Jesus seria o responsável por estabelecer um julgamento. O que fazer? Se autorizasse o apedrejamento, Jesus estaria se comprometendo com as leis romanas e seria preso por autorizar a morte de uma pessoa, ato somente autorizado pelo governo romano. Se liberasse a mulher estaria infligindo a Lei de Moises e arrumaria um sério problema com os fariseus. Enfim, as pedras estavam nas mãos dos fariseus de uma forma ou de outra. Quem seria apedrejado? Jesus é claro. Jesus calmamente escreve na poeira sobre as escadarias e depois de muita insistência por parte dos fariseus, se dirige aos “acusadores” autorizando jogar pedras, porém, depois de uma análise: atire a primeira pedra aquele que não tem pecados. O que se vê é uma cena poderosa: todos, começando dos mais velhos e chegando aos mais novos, vão largando suas pedras e indo embora. Jesus está de cabeça baixa e continua escrevendo na poeira. A mulher adúltera está completamente constrangida. Constrangida? Sim, constrangida. Mas, com o que? Com o amor de Jesus. Ninguém trata uma pessoa pega em ato de adultério dessa forma. Esse fator se expressa de forma incrível quando Jesus percebe que ela não havia ido embora. Ela ficou justamente no local onde fora colocada no início da acusação. E por que não aproveitou e foi embora? Porque dentro do seu coração estava acontecendo uma mudança imensurável. Ele estava tendo um encontro com alguém que não tem prazer de apontar o dedo e citar pecados, mas que tem prazer de dizer: Eu também não te condeno. Jesus era o único que poderia acusar e condenar aquela mulher e não o fez. Mas como? Ela não era adúltera? Sim. Mas não era mais necessário apontar os defeitos daquela mulher. Isso já foi feito através dos fariseus. O que Jesus faz é constrangê-la a mudar de vida através de seu profundo amor. Ahhh, Jesus concluiu: Não peques mais.
O que me faz mudar de vida e abandonar a vida de pecado é o grande amor de Deus. Ele me constrange a uma mudança de atitudes.

Boaz A. Sperber

Saudação de Judas



Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo, a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados – Jd 1-2



JUDAS, IRMÃO DE TIAGO

Judas é irmão de Tiago que juntos são irmãos “carnais” de Jesus Cristo. Judas era um nome bem comum naquele tempo e para se diferenciar e criar um elo de ligação aos seus leitores, o autor se coloca como irmão de Tiago, o que lhe dá um certo prestígio e atenção entre seus leitores.


SERVO DE JESUS CRISTO          
A expressão servo que Judas usa pra seguir na apresentação, vem do grego doulos (doulos) e se traduz literalmente como servo/escravo. Essa associação que Judas faz de seu relacionamento com Cristo mencionando ele ser escravo do Senhor é um tanto quanto intrigante aos leitores em geral. Haviam bastante escravos naquele tempo e todos sabiam o que Judas estava dizendo. Ele estava simplesmente dizendo que era um ser humano que havia entregue seu corpo, sua vida, com todas as forças e capacidades produtivas para outra pessoa. Ou seja, ele agora se declara pertencente a seu senhor, no caso, Jesus Cristo. Judas qualifica-se desta forma sabendo e conhecendo quem Jesus era. Isso tem uma importância grande quando olhamos para o fato de Judas ser irmão de Jesus (biologicamente). Judas reconhece o senhorio de Cristo sob sua vida. Jesus se torna o kyrios (expressão grega para chamar de senhor) de sua vida. Ele reconhece que Jesus é o Senhor. Judas “pertence” a Jesus. Jesus o adquiriu das trevas, do poder de satanás colocando sob sua responsabilidade e cuidados através do sangue vertido na cruz do Calvário. Judas se intitula dessa forma com grande alegria. É prazeroso ser servo/escravo de Cristo. É importante salientarmos que o termo servo/escravo, está diretamente ligado com “serviço”. Logo podemos dizer que aquele que é servo/escravo deve logicamente estar em serviço. Nesse sentido o termo denota grande dedicação no serviço do servo ao seu senhor.

AOS CHAMADOS, AMADOS EM DEUS PAI
Os chamados são a “igreja”. Isso nos mostra como Judas “enxerga” a Igreja: sempre de forma teocêntrica, ou seja, centralizada em Deus. Em suma, Judas está nos mostrando que a igreja é caracterizada por pessoas que são chamados por Deus não por qualidades ou realizações, mas simples e puramente pelo chamado de Deus. A Igreja é o que é pelo agir de Deus no meio dela. Não são nossas obras ou méritos que nos qualificam a participar dela, mas entramos na congregação do Messias porque Deus nos elegeu e ordenou para estarmos nela. Praticamos obras sim, porque temos um compromisso diante de Deus e dos homens e dessa forma somos impulsionados pelo Espírito de Deus a sermos “pequenos cristos” (cristão) aqui no mundo onde vivemos. Precisamos resplandecer a glória de Deus aos homens. Toda essa eleição e vocação divina para o ser humano se dá de forma poderosa no amor de Deus. Somos amados não somente por Deus, mas em Deus. Isso é poderoso porque aponta um amor ágape, que mesmo antes de ser membros dessa comunidade de cristãos já contávamos com o amor de Deus por nossas vidas. Independente de nossa existência cristã o amor de Deus existe e se revelou em Cristo Jesus de forma magnifica na cruz.

GUARDADOS EM CRISTO JESUS
Um amor de verdade precisa ser expressado de forma verdadeira também. É assim que somos guardados/preservados em Cristo Jesus. Dessa forma, temos a certeza de que estamos sendo preservados em toda e qualquer situação de nossa caminhada cristã. A expressão fala que estamos sendo cuidados por Deus em Cristo para chegarmos ao final de nossa carreira com a fé assegurada. Que maravilhoso saber que Deus nos guarda com tanto carinho. Mas não é somente isso. Somos também guardados para Cristo. Essa nota tem alcance escatológico. Isto é, estamos sendo preservados para Cristo. Para o momento em Cristo vier buscar o povo santo, zeloso e que pratica boas obras.

 A MISERICÓRDIA, A PAZ E O AMOR, VOS SEJAM MULTIPLICADOS
Neste momento, Judas está anunciando a bênção para os destinatários da carta. O desejo de Judas era que Deus desse em rica medida aos seus destinatários misericórdia, paz e amor. Que anelo maravilhoso. Quem “puxa a fila” da bênção é a misericórdia que não é somente uma simpatia de Deus para conosco, mas foi evidenciada de forma literal e sacrificial na cruz através de Cristo. Somente por misericórdia divina Cristo se doou na cruz por nossos pecados. Ela demonstra claramente a dedicação fundamental de Deus a nós. A misericórdia é a manifestação exterior da piedade. Ela presume necessidade por parte daquele que a recebe e recursos adequados por parte daquele que a mostra.
A paz que foi desejada para os destinatários ainda hoje precisa estar presente em nossas comunidades. O termo hebraico shalom (paz) não tem somente um sentido meramente de paz sentimental, mas é ampliado de forma que podemos notar paz mesmo em meio a grandes tribulações e lutas. Temos, graças a Jesus, a paz que o mundo não tem. Jesus nos deu a paz que excede todo entendimento. Podemos ter paz mesmo em meio a guerra. Essa paz é evidenciada no nosso relacionamento com Deus e reflete de forma literal no nosso relacionamento com o próximo.
O amor. O amor é imprescindível. Ele é a base de nosso relacionamento com Deus e do relacionamento com nosso semelhante. Estas duas faces do amor são inseparáveis: não posso amar a Deus sem amar a meu irmão; e não tenho condições de amar meu irmão sem o amor de Deus. Diante disso podemos concluir que essas coisas não são “propriedades” nossas, mas são bênçãos advindas de Deus. Lembrando sempre que Deus deseja nos renovar abundantemente e diariamente com misericórdia, paz e amor.

Boaz Alberto Sperber

Afinal, o que é misericórdia?


Do grego eleos (eleos), ela pode ser definida de forma simples e clara como a “manifestação exterior de piedade”. Ela denota necessidade por parte daquele que a pede/recebe e por outro lado, aponta para a capacidade de recursos por parte daquele que a demonstra para satisfazer essa necessidade. É usada em relação a Deus quando falamos que Deus é rico em misericórdia:
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou – Ef 2:4.
Nesse texto de Efésios podemos notar a capacidade de Deus em ser misericordioso para conosco. Através dessa misericórdia divina é que nos foi provida a salvação:
Não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo – Tt 3:5.
Notamos no texto de Paulo a Tito que o ser humano não garante sua salvação através de suas boas obras, mas através da expressão de misericórdia de Deus. Essa misericórdia se prolonga de geração em geração na vida daqueles que servem (temem) a Deus – Lc 1:50. Notadamente observamos nos textos citados que o Homem por mais reto e integro que seja, é dependente da misericórdia de Deus. Sendo assim, as Escrituras nos ensinam de forma corajosa orar em busca da misericórdia de Deus:
Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno. – Hb 4:16.  
Paulo em suas cartas comumente desejava que seus leitores fossem grandemente alcançados por esta misericórdia:
A Timóteo, meu verdadeiro filho na fé: graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor. – 1Tm 1:2.
E a todos quantos andarem conforme esta norma, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus. – Gl 6:16.
A misericórdia de Deus para conosco tem seu ponto culminante na vida de Jesus, momento em que a salvação há de se completar. Misericórdia sempre é o ato de Deus de manifestar seu amor e traz como resultado na vida do Homem a paz. Com exceção de Gl 6:16, todos os outros textos bíblicos que falam de misericórdia e paz, os colocam nesta sequencia. Sempre vem a misericórdia que traz a paz. Dessa forma, a paz é a experiência no coração do homem resultante da misericórdia de Deus. Misericórdia é a atitude de Deus para com aqueles que estão em angústia. Nesse sentido, podemos dizer que somente os que foram alcançados pela graça (graça é a ação de Deus em direção ao perdido/rebelde/pecador) podem de verdade serem alcançados pela misericórdia que traz paz ao coração. Graça sempre vem antes da misericórdia no propósito salvívico de Deus. Podemos perceber isto nas saudações apostólicos nas cartas:
Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo.- 1Tm 1:2
A Timóteo, amado filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus nosso Senhor.- 2Tm 1:2
A Tito, meu verdadeiro filho segundo a fé que nos é comum, graça e paz da parte de Deus Pai, e de Cristo Jesus, nosso Salvador.- Tt 1:4
Porém a misericórdia não é somente uma manifestação exterior de piedade de Deus para com o Homem. O Homem também é agente de misericórdia, visto que ele à recebeu de Deus e agora tem o dever de demonstrar piedade para com seu próximo. Vejamos alguns textos:
Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.- Mt 9:13.
Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes.- Mt 12:7.
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.- Mt 23:23.
Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo.- Lc 10:37.
Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo.- Tg 2:13.

Boaz Alberto Sperber


Humanamente Impossível



Em alguns momentos, lendo o sermão do Monte me senti fraco, longe de Deus e desmotivado. Jesus “dificulta” o caminho que já era um tanto quanto difícil. A lei que era severa agora torna-se mais pesarosa ainda. Parece que o sermão do Monte nos coloca no mesmo nível de pessoas que abominamos por suas ações conhecidas socialmente: assassinos, raivosos, adúlteros, maníacos sexuais, ladrões, cobiçosos. Todos estão ali citados e nos encaixamos de alguma forma dentro dos padrões estabelecidos por Jesus. Isso acontece porque queremos fazer acontecer na íntegra o que Jesus profere no sermão. Tentamos a qualquer custo seguir no caminho delineado por Jesus. No entanto, não posso transformar o sermão do Monte em legalismo como fariseus transformaram a Lei. Não tem como? O fracasso entra sem pedir licença quando tentamos cumprir a risca o que o sermão do Monte nos traz como caráter de Deus. O sermão do Monte nos apresenta justamente isso: o caráter perfeito de Deus. Assim sendo, nunca devo desistir de buscar esse ideal divino, mesmo sabendo que enquanto aqui viver, nunca vamos alcançá-lo. O sermão nos mostra a grande “distância” que se encontra no relacionamento do Homem com Deus e toda e qualquer tentativa meramente humana de reduzir essa distância tão grande nos mostra que ainda não entendemos o evangelho de Cristo e sua obra.
O sentimento é de desespero. Talvez essa seja a palavra que mais se encaixa quando leio o sermão do Monte e percebo que não consigo em todas as instâncias cumprir o ideal de Deus. Por outro lado a forma mais apropriada de diminuir essa distancia é começando com desespero. É nessa hora que nos jogamos na rede de segurança chamada GRAÇA. E Jesus nos traz alívio imediato e segurança quando diz: A minha graça te basta!

Boaz Alberto Sperber
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