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O Reino de Deus está próximo


      A expressão usada como título deste post é muito conhecida pelos leitores da Bíblia. Esse termo é usado para falar não de um reino físico, mas de uma esfera de influência que define minha forma de conviver no meio onde existo. Tratando-se de Reino de Deus (ou reino dos céus, como queiram) é preciso citar que o eixo principal desta influência se baseia justamente em um relacionamento íntimo com esse Deus. Somente um relacionamento com Deus pode me influenciar a viver seu reino dia após dia, tornando possível compartilha-lo em minhas experiências diárias com outras pessoas. Se relacionamento com Deus é o foco, temos que pensar de que forma torna-lo verdadeiro e eficaz. Gosto muito do pensamento do teólogo Joseph Campbell, que me apresenta um Jesus que quebra paradigmas muito antigos, porém cada vez mais modernos. Vejamos o que podemos aprender com Jesus para nos relacionarmos com Deus. 1) Jesus me ensina que o relacionamento com Deus através de uma instituição chega ao sem fim, justamente com a chegada dele próprio. Não que antes fosse preciso, mas Jesus acentua essa quebra de conceitos de seu tempo e me mostra que isso ainda hoje se faz necessário (e como). Quando ele está trocando algumas ideias com uma mulher de vida tumultuada, que já teve muitos maridos e o que tinha não era dela... lembra... a mulher samaritana!... Ahh lembrou... Ele diz, respondendo à pergunta daquela mulher que nem em Jerusalém nem em montes de Samaria o Pai seria adorado de forma verdadeira, mas em espírito e em verdade. Faz muito tempo, antes mesmo de existir, que acabou o fato de nos relacionarmos com Deus profundamente porque sou de tal denominação. Deus não é denominacional. Cristãos (se assim podem ser chamados) que admitem somente algumas denominações como garantias à salvação. Misericórdia! Paulo tem sempre muitas brigas em seu tempo, justamente porque os judaizantes, agora convertidos ao cristianismo se achavam mais crentes que os gentios. Para um relacionamento com Deus, não é preciso nem mesmo obrigatório uma denominação. Então por que frequento uma instituição religiosa? Sabia que essa pergunta surgiria! Pelo fato de que nela compartilho de forma mais familiar minhas experiências de um Deus que não está encaixotado dentro dessa instituição colaborando para o fortalecimento da fé mutua da comunidade. 2) O modo de relacionamento com Deus “criado” por Jesus está pautado em uma pessoa e não em uma instituição. Agora Ele foi longe demais. O que Jesus fez foi desconstruir todo um sistema, aliás um sistema falido a muito tempo. Fariseus hipócritas que eram verdadeiros sepulcros caiados ambulantes. Em todo seu discurso sobre o Reino ele se coloca literalmente no Outro. Não entendi!!! Explico: Jesus me mostra que um relacionamento com Deus existe e é evidente na forma em que me relaciono com meu próximo. O reino está nas minhas relações com meu semelhante. Na forma que o respeito e que o enxergo. Isso me aponta para um reino dinâmico e prático, nada teórico. Falar de amor é muito bonito, melhor ainda é vive o amor... esse é o convite de Jesus. Temer a Deus é o princípio da sabedoria, mas tenho que confirmar isso respeitando meu semelhante. E 3) Jesus se denomina “um com o pai” ou “Eu e o pai somos um”, e nos convida todos os dias a nos tornarmos com Ele, filhos de Deus. Ou seja, Jesus está dizendo que o Reino existe quando me torno discípulo Dele. Isso me denomina “cristão”. Agora sou semelhante a Cristo e isso mostra que o reino de Deus que estava próximo agora está presente como experiência real e visível em minha vida. E ter as ações parecidas com as de Cristo significa antes de mais nada reconhecer como Deus relaciona-se com suas criaturas em geral. Vejamos: “Eu, porém, vos digo: amais os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos de vosso Pai celeste...” Se somos convidados a ser filhos de Deus através de Cristo, somos convidamos a exercer o amor.
      O fator intrigante: Nem no tempo Dele nem em nosso tempo, Jesus foi ouvido em suas declarações sobre o Reino de Deus. Cada vez mais adoradores de instituições estão surgindo. São crentes formados e criados em laboratórios. Cada vez mais o relacionamento com Deus está pautado em regras humanas e muitas delas descabidas. Algumas até tem seu bom peso, mas outras são fardos pesados demais para um ser humano carente de Deus. Infelizmente não estamos enxergando Jesus no Outro. Queremos ele em nós mas não no nosso próximo. Relacionamento baseado em amor ágape é coisa da Bíblia... por isso infelizmente podemos dizer com toda certeza que para a imensa maioria o Reino de Deus continua próximo ou muito distante!

Boaz Alberto

O pecado de Gaza*



O pecado de Gaza  (Amós 1:6-8)

      Gaza era uma das capitais da Filistia. Uma das maiores e mais importantes cidades dos filisteus. Eles eram os maiores inimigos do povo de Israel. Eram bem organizados e muito experimentados na guerra. Dominavam a produção de armas com minérios importantes daqueles dias. A cidade de Gaza era um dos mais importantes centros de tráfico de escravos. Aliás, uma das principais ocupações dos filisteus era justamente o tráfico de escravos que era motivado pelo fato da cidade estar situada em uma importante rota comercial entre a Síria e o Egito. Mercados de escravos com leilões de grande procura eram normais na cidade. A grande fonte geradora de riquezas de Gaza estava na venda de pessoas para trabalhos forçados. Isso caracteriza o grande pecado de Gaza: mais amor ao lucro do que às pessoas. O tráfico de pessoas era a grande fonte geradora de riquezas para os filisteus. As praças de Gaza fervilhavam atrás de lucro com a venda de escravos. Se Damasco tratou pessoas como objetos, Gaza amou mais os objetos do que as pessoas. O que caracterizava Gaza era justamente o fato de invadirem as terras de seus inimigos e não somente saquearem os objetos mas também levarem seus habitantes cativos para o mercado de escravos com o fim de obter muito lucro. Em muitos destes casos, pessoas sem aptidões físicas para serem escravos eram comercializados, demonstrando desta forma que a ganância pelo dinheiro era muito grande. Em nosso tempo existem muito filisteus disfarçados de grandes comerciantes e homens de negócios operando em favor de grande lucro próprio. E somente lucro próprio. Pensando somente em ganhar seu dinheiro nem que seja necessário vender pessoas como escravos. Homens de tamanha ganância que enxergam somente seu enorme umbigo. Amar aos próximo como a si mesmo nem de perto é estilo de vida para muitos, quem dera preceito divino. O juízo de Deus? Não falha em momento algum. Deus destrói as cidades filisteias com fogo. Que Deus nos livre de amarmos mais coisas que pessoas ao ponto de vendermos pessoas e se apegarmos a coisas. Que Deus nos liberte do espírito pós-moderno que me apresenta o próximo como fonte de lucro e não como imago dei (imagem de Deus). 

*Este é o segundo texto de seis textos que estarei postando sobre os pecados das nações pagãs tendo como base o livro do profeta Amós. Quero simplesmente trazer à luz de nosso contexto a gravidade das más ações destas nações e o julgamento de Deus sobre elas. 

O Pecado de Damasco*


Damasco (Amós 1:3-5)

      Damasco era uma cidade rica, com terras férteis e um importante centro de rota comercial. Era a capital do reino da Síria. O grande pecado da cidade foi tratar as pessoas como coisas. (Amós 1:3). O termo usado para essa referência no verso é “trilhar”. A. Motyer, diz que trilhar é o que o homem faz a uma coisa. Por exemplo, ao grão de trigo colhido, quando esse é trilhado para dele se extrair trigo puro para no final das contas extrair dele o lucro. Foi exatamente o que Damasco fez com Gileade. Ainda hoje muitas pessoas olham para outras pessoas como se estas fossem coisas. Objetos. O ser humano tem uma capacidade capitalista de ver no seu próximo lucro de forma excepcional. Trabalhamos com o ditado “toma lá da cá”. E quando isso não funciona, simplesmente assolamos até tirar o lucro desejado. Se o outro irá sofrer? É o que menos importa. Contanto que o lucro seja extraído, ótimo.  De acordo com Edgar Henry podemos tirar algumas importantes lições do texto: 1) Riqueza não previne a avareza: a riqueza não tem o poder de humanizar homens. Quanto mais ricos, mais truculentos e obcecados pelo dinheiro. Quando mais fortes, mais opressores. Quanto mais tem, mais desejam ter. A história se repete de forma muito idêntica em vários setores da sociedade: comércio, indústria, organizações sociais, política, enfim, é o poder de quem mais tem sobre quem menos tem. 2) A força é uma tentação à violência: como no caso de Damasco, podemos ver os fortes sendo seduzidos a “atropelar” qualquer “empecilho” que surja na frente. Não importa mais quem está na frente, o mais importante são os objetivos que precisam ser alcançados, nem que pra isso seja necessário o uso da força.
O juízo de Deus: um ato tão perverso não encontra simpatia em momento alguém da parte de Deus. A paciência de Deus havia se esgotado e o juízo era inevitável. Vejamos o juízo divino: 1) Quebrar o ferrolho de Damasco: era abrir os portões da cidade para as invasões dos inimigos. Deus estava tratando o opressor com o mesmo golpe que o opressor trata os mais fracos. Sempre digo que aquele que usa de qualquer meio para se sobrepujar, encontrará alguém mais astuto que o sobrepujará. 2) O juízo de Deus atinge o pecado nacional: o vale de Áven era o centro idólatra da Síria, cuja capital eram Damasco. Aqui Deus mostra seu desgosto pela prática idólatra e permite a destruição da cidade. 3) O juízo inclui a casa real: Deus trata com o “cabeça” da nação. Não existe sentido em perecer o povo e seu mentor escapar. O maior juízo sempre cairá sobre quem tem maior poder. 4) O juízo inclui a perda da nacionalidade: o invasor seria invadido. Finalmente o opressor é oprimido e levado cativo para a Assíria.
Aplicação: nitidamente notamos que Deus não tem prazer na opressão e no abuso da força para realizar o desejo de quem quer que seja. Tratar outro ser humano como objeto a fim de sugar dele o lucro, é um pecado grave e receberá o juízo divino inevitavelmente. Tenhamos muito cuidado quando estivermos tão ricos de nos acharmos insatisfeitos com o que temos a ponto de maltratarmos outros para nosso bel-prazer. Deus no livre disso. E lembre-se: a riqueza que temos sempre deverá estar a disposição de Deus para abençoar outras pessoas.

Boaz Alberto
  
*Este é o primeiro texto de seis textos que estarei postando sobre o julgamento de Deus as nações pagãs tendo como base o livro do profeta Amós. Quero simplesmente trazer à luz essas histórias para podermos tirar algumas lições sobre elas.

Teologia da Siriguela


      Conta-se uma história no Nordeste que um menino “aceitou” a Jesus e agora estaria fazendo sua confissão de fé. O menino coloca-se de joelhos e o pastor coloca as mãos em sua cabeça e começa a pronunciar a “doutrina” da igreja a qual ele pertenceria: “Meu filho, agora que você é crente você não pode mais jogar bola, ir a bailes, dançar, fumar, beber”. O menino, aflito, entre a emoção de estar sendo recebido pela comunidade e o conflito de ouvir tudo aquilo como “proibido”, pergunta: “Pastor, mas eu posso tomar suco de siriguela?” Hoje em dia ainda é assim? Façamos, pois, um descritivo de nosso tempo: não precisa trocar as vestimentas, decoração de casa, linguagem, time, academia ou deixar antigas amizades. Não mais ruptura cultural quando se adere aos evangélicos. Pode-se converter e continuar do jeito que está. Podemos usar as mesmas roupas, alias, as mulheres podem continuar usando os mesmos vestidos (micros) e as saias (mini); jogar um jogo qualquer, ir ao estádio para torcer pelo time do coração (desde que nesse coração fique um lugar pra Jesus), ir a shows com artistas de MPB, posar para revista masculina mostrando seus dotes femininos (tudo isso de forma muito artística e profissional, claro), apresentar programas de madrugada (geralmente com programação erótica e pornográfica)... tudo isso é normal. Por que mudou tanto? Será que evoluímos ou estamos retrocedendo? Se tornar um cristão a alguns anos atrás (poucos anos) era assinar um atestado de martírio. Era ser taxado de “careta”, de “bíblia”. Se converter a algumas décadas atrás era no mínimo perigo de ser preso. Tudo isso mudou ou está mudando drasticamente porque temos uma diversidade absurda de igrejas (denominações). Tem igreja pra tudo que é tipo. É só escolher. Mas onde fica o cristianismo? Cristianismo! Que é isso? Isso não tem mais tanta importância desde que estejamos inseridos em uma comunidade que nos abrace, mesmo sendo somente por interesse, e desde que me “vendam” aquilo que estou precisando... eu pago!

Boaz Alberto Sperber

Secularização



Uma das mais importantes cidades da Ásia no contexto bíblico. O nome foi uma homenagem do imperador a sua esposa Laodice. Ela era famosa por três coisas: um sistema bancário poderoso; uma incrível escola medicinal, responsável pela fabricação do Pó Frígio (um poderoso colírio); a manufatura de lã preta que originava roupas belíssimas e de grande valor agregado.
Nesse contexto surge a igreja (já explicamos um pouco no artigo sobre Pérgamo). Acontece que a igreja, influenciada pelo contexto em que vive, relata suas “qualidades”: somos ricos e de nada temos falta. A igreja era indiferente. Tanto faz como tanto fez. Assim como uma cozinheira usa o sal para fazer a diferença no sabor dos alimentos, a igreja “serve” para fazer a diferença no mundo. Ela não pode ser indiferente as coisas que acontecem ao seu redor: homossexualismo, aborto, fome, guerras, indiferença social, corrupção, etc. Somos tão espirituais (ou achamos que somos) que não temos tempo para estas coisas. Quando pensamos assim é porque estamos mortos espiritualmente.
Agora é a vez de Jesus apontar as qualidades dessa igreja:
“ Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” Apocalipse 3:17.
Uma opinião nada condizente com aquilo que a igreja pensava ser. Totalmente o contrário! Que pena que estamos avaliando nossas igrejas com olhar de homens. Vamos mudar o receptor da pergunta: Jesus, o que o Senhor pensa de minha igreja? O que o Senhor pensa da Igreja da minha geração? Será que estamos com os bolsos cheios de dinheiro, com roupas caras e belas (parece desfile) e com os olhos arregalados para os atraentes benefícios do mundo, mas indiferentes à tudo o que Deus tem pra nós? Ou indiferentes pra tudo o que Deus quer de nós.
Pra Laodicéia havia um escape: arrependimento e zelo. Arrependimento é voltar atrás; fazer o que é certo; parar de fazer o que é errado. Zelo é paixão; inflexibilidade; fazer as coisas pra Deus com prazer e alegria.
Medite nisso.

Boaz Alberto

Tudo Errado!




A doença tá no corpo de quem tem pecado!
Você não prospera? Deve ter algum pecado escondido ou a oferta está pouca!
Tá andando de carro velho? A tua fé é muito pequena!
Tá sofrendo, deve ter um encosto ai!
Você já deve ter ouvido ou lido frases desse tipo. É a “moda” de muitos “sacerdotes” evangélicos por ai. Fico pensando o que falariam de Jesus Cristo. Nasceu em casa humilde. Trabalhou arduamente com seu pai até chegar o momento de “expor” seu ministério. Dai pra frente à coisa fica um pouco mais acentuada. O seu primeiro sermão (Mt 5), o sermão do monte fala que o Reino dos céus é dos pobres e dos que sofrem perseguição por causa da justiça. Promete consolo aos que choram, fartura aos que tem fome de justiça, misericórdia aos que são misericordiosos. Estanho! O evangelho de muitos hoje não se parece nem um pouco com o anunciado por Jesus Cristo. Com certeza diriam que ele tem encosto. Diriam que a sua dor era resultado de pecado.
Porque temos o costume de combater essas “coisas ruins” (dor, perseguição, pobreza, etc.) como se fossem coisas resultantes de pecado? Jesus sentiu dor, passou fome, esteve sozinho, mas não pecou. Em nenhum momento Deus nos garante que estaríamos livres dessas coisas, pelo contrário, Ele nos dá garantias de passarmos por tudo isso enquanto aqui estivermos. Sentimos a dor, o escárnio, a perseguição como uma ofensa. Quando Jesus está no Getsêmani ele tem a mesma impressão por um momento nas palavras que pronuncia pedindo que Deus afaste Dele aquele momento. Isso é o que fazemos sempre, todos os dias. Todavia, Ele estava disposto a sofrer para um bem maior. Ele decide passar por tudo e colocar-se submisso a Deus Pai para um objetivo superior. Ele entrega a decisão de morrer ou não nas mãos de Deus. Deus é quem decide.
O profeta Isaias (cap. 53) descreve como era Jesus muitos antes de Ele estar entre nós. Ele era um homem que não tinha formosura, sofrido, homem de dores. O castigo que te traz a paz estava sobre Ele e pelas pisaduras Dele nós somos sarados. Ele passou por tudo isso e venceu. Você precisa passar por tudo isso e vencer também. O que não pode ficar doente é seu caráter. O que não pode estar pobre é sua vida espiritual. Minha prosperidade é adquirir um tesouro no céu. O reino dos Céus é pra esse tipo de pessoas.
Ainda temos tempo para arrumar tudo isso!

Boaz Alberto

Causador de Tempestades


 

Jonas era um profeta em fuga. Fugindo de quem? Ora, de Deus. Como se isso fosse possível! Existem pelo menos três verdades que devem ser ressaltadas aqui: 1. Se Deus é onipresente, fugir Dele é loucura. Nenhuma mudança de ambiente pode me ajudar a escapar da presença de Deus. Deus nos acha onde que formos; 2. Se Deus é onipotente, opor-se à Ele é uma decisão insana. É uma terrível contradição afirmarmos que tememos a Deus, mas ao mesmo tempo estamos desafiando seu poder. Não podemos brincar com Deus; 3. Se Deus é onisciente, esconder-se de Deus é uma insensatez. Deixarmos de ser guiados por Deus para sermos guiados pelos nossos próprios sentimentos se constitui loucura. O coração do homem sempre fará caminhos tortuosos e planos de perdição. Agora pense em um homem sabendo de tudo isso (Jonas era o porta-voz de Deus) e mesmo assim praticando ações contraditórias aos princípios de Deus. Jonas vai para dentro de um navio que está indo para Társis. Com Jonas estavam todos os tripulantes. Subitamente uma tempestade arremete-se contra o navio trazendo grande pavor. Os profissionais dos mares ficam com medo a ponto de orarem cada um ao seu deus para pedir por misericórdia. Eles percebiam que a tempestade não era normal. Ela era uma tempestade de um deus que estava desgostoso com alguém. Importante lembramos que a tempestade enviada por Deus não tem a missão de matar Jonas e os outros que com ele estavam no navio. Mas tem o objetivo de trazer Jonas ao seu ponto de partida. Diria que Jonas é um “causador de tempestades”. Os desobedientes são sempre assim. Eles garantem a Deus o trabalho de movimentar as forças naturais criadas por Ele, para traze-los de volta ao princípio. Infelizmente outras pessoas são afetadas com esta tempestade. O navio sobre os danos, da mesma forma a carga precisa ser jogada ao mar para garantir estabilidade e sustentação do navio e a vida dos marinheiros é colocada em risco. Enquanto tudo isso acontece o profeta está... onde? No porão do navio dormindo. Enquanto muitas pessoas estão sendo prejudicadas e sofrem os danos da tempestade enviada por Deus pra trazer de volta um profeta fujão, o profeta está dormindo como se fosse a última coisa a ser feita no momento. Por que Deus age desta forma? Porque falando com o profeta não houve resultado e quando falar não convence mais, Deus passa ao plano B. Ele fala com Jonas através de Suas obras: mar, vento, chuva. Alias, tudo está a seu serviço. Até mesmo por meio dos marinheiros pagãos Deus falou com Jonas. Quando tomamos a pretensão de fugir de Deus, nos tornamos maldição quando deveríamos de ser bênção. Jonas é um profeta insensível, desobediente e em rota de fuga. Jonas estava se tornando em um transtorno e não um solucionador de tensões. O cristão fora da vontade de Deus se torna um problema muito grande pra todos os que estão em volta. Ele se torna em um espalhador de problemas. Muitos dos problemas na sociedade são causados ou aumentados devido o fato de termos muitos cristãos trilhando esta mesma rota de fuga trilhada por Jonas. Não fuja mais de Deus. Não adianta. No final das contas Deus lhe trará para perto de si novamente e o fechamento das contas somarão grandes prejuízos. A melhor coisa a se fazer é ficar na vontade de Deus em obediência irrestrita.

 

Boaz A. Sperber

Contraditório




O que temos visto com muita frequência e muito orgulho são pessoas que se autodenominam  evangélicos. (O termo crente já saiu de moda. Ele está sempre muito ligado aqueles pessoas que andavam com indumentárias e discurso muito fora de contexto. Mas o termo evangélico está muito atual. Atualíssimo pra ser bem verdadeiro). Tem um montão de gente entrando no evangelho. E isso é bom. Melhor ainda é quando esse evangelho entra dentro deles e traz mudanças perceptíveis na conduta diária. O melhor de tudo é que quando me denomino evangélico estou dizendo que sou portador de boas novas. Ou seja, minha vida agora é condutora das boas notícias de Deus que foram-me entregues através do reconhecimento e aceitação do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário (pra muitos isso que falei agora é novidade). Logo meu maior dever é levar essas boas notícias onde quer que for, para quem quer que seja. O problema se concentra em unir essa vida de mudanças a uma série de atividades rotineiras como por exemplo o trabalho.  Nem sempre meu trabalho ou meu modo de conduzir meu trabalho combina com o evangelho. Existe um número sem precendentes de pessoas que ainda não mudaram de trabalho ou o modo de trabalhar depois que vieram para o evangelho. Não podemos aceitar, por exemplo, que moças africanas continuem prostituindo-se (em alguns países africanos prostituição é profissão com carteira assinada) depois de entrar no evangelho como se isso fosse normal. Evangelho não combina com trabalho desleal, desonesto e escravizador. Pior ainda são aqueles que tem um trabalho aparentemente digno mas usam de certas artimanhas para se darem bem diante de seus clientes ou companheiros de trabalho. Aqui entra um fenômeno cultural nosso: o jeitinho brasileiro. Pena que pra Deus o jeitinho brasileiro não funciona. Não estamos acostumados a glorificar a Deus em nossa vida profissional. Espiritualizamos a vida de fé e a separamos (literalmente) da vida profissional. Nossa conduta geralmente é diferente: dentro da igreja glorifico a Deus com todo meu ser; no meu trabalho uso minhas artimanhas para ganhar o sustento diário. O caso extremo acontece naqueles casos que usam essas falcatruas e depois ainda tem coragem de testemunhar que Deus abençoou. Que Deus abriu a porta. Não sei que porta é essa, mas é estranho Deus abrir portas desse jeito. Somos contraditórios. Entramos no banco dos réus por condutas muito bem pensadas. Sou cristão no senso, mas acabo vivendo uma vida sem a menor intervenção natural de Deus. Dá-me a impressão que idolatramos Deus. É como Israel no Antigo Testamento: Deus era visto como essencial somente dentro do templo. Fora ou longe dele, Deus se tornava distante e desinteressado. A contradição aumenta nos relacionamentos interpessoais. A regra de ouro de Jesus não se aplica mais em momento algum. Fazer aos outros aquilo que gostaria que me fosse feito? Sem condição. Leva muito tempo pra que as pessoas percebam essa minha conduta abnegada e cristã. Sabemos exatamente o que Deus requer de nós, mas não damos a mínima importância pra isso. Temos boa doutrina, mas vida errada. Temos conhecimento, mas desprezamos o amor. Temos temor, mas falta-nos reverência. Temos uma fé antropocêntrica, centrada no homem e não em Deus.
 

Boaz A. Sperber

Poço furado


No relacionamento de Deus com Israel, sempre houve histórias e fatos que marcam nossas leituras no Antigo Testamento. É impressionante o cuidado que Deus tem com o Israel do Antigo Testamento. Desde o livramento do Egito, a caminhada pelo deserto, o maná que caia com o orvalho todos os dias, a água que jorrava da rocha, as roupas e calçados que não terminavam, enfim, é uma história incrível de um Deus cuidadoso com seu povo. O povo teve a oportunidade de um relacionamento ímpar com Deus e não aproveitou esse momento. Ao contrário o povo se afastou de Deus de forma idólatra e carnal. O texto de Jeremias 2:13 relata bem o que Israel fez com o Senhor nosso Deus. O povo estava vivendo com o “manancial” de águas e o trocou por cisternas rotas. Uma comparação bem interessante. O que Deus quer dizer é que o povo tinha com Deus, água limpa, pura, coisa boa. O manancial era uma fonte que jorrava água todos os dias. Não era água parada que se acumulava em poços quando chovia. Era uma nascente que “produzia” água a todo o momento. A vida com Deus é assim: uma fonte de águas novas a todo o momento. Uma fonte tão poderosa que nos alimenta diariamente e ainda nos leva a jorrar água aos que estão próximos a nós. Israel, não percebendo isso, cometeu dois pecados com este manancial: 1. Abandonou o manancial de águas vivas. Ainda hoje muitas pessoas, abandonam Cristo, o manancial de águas vivas. Largam a fonte da vida e do vigor. 2. Cavam pra si cisternas rotas. Cisternas são poços cavados pelo Homem para armazenar água da chuva. Essa água pode saciar a sede, mas ela conta com a sujeira que é trazida com a água escorrendo pelos montes e valados para dentro do poço. Além disso, a água fica parada dentro do poço, sofrendo a ação do sol e de outras intempéries. Se isso não fosse o suficiente na comparação, essa cisterna era rota, isto é, rachada. Era uma cisterna furada. Além de ser água da chuva que se acumulava, o poço estava furado. Não podia sustentar a água acumulada da chuva. Que problema pra um povo que depende de água para sobreviver.
Pessoas fazem o mesmo hoje. Sem se dar conta, largam Jesus e correm atrás de outros “fenômenos” espirituais e no fim percebem que abandonaram o manancial de águas e construíram para si cisternas rotas que não saciam a sede como deveria. Poços furados que não armazenam aquilo que cai dentro deles.
Tem um jeito de mudar isso: abandone esse poço furado e corra pra o manancial de águas, Ele está disponível ainda hoje pra você. Jesus te espera ainda!



Boaz A. Sperber

Eu também não te condeno


 
Era a festa dos Tabernáculos. A data era de muita importância para os judeus, pois lembrava a importante data em que o povo morou em tendas no deserto sendo sustentado por Deus após o milagroso episódio do Êxodo. No último dia acontecia uma importante cerimônia que consistia em procissão até o tanque de Siloé onde água era tirada do tanque, colocada em jarros de ouro e logo depois todos caminhavam rumo ao templo. Esse cerimonial apontava para a água fornecida por Deus em Êxodo 17, no deserto de Sim. Acontece que Jesus toma a atenção de todos os que participavam do cerimonial quando se coloca de pé e clama dizendo que ele era a água da vida e todo aquele que bebesse dessa água jamais tornaria a ter sede. Que escândalo! Jesus estava dizendo que ele era a água que Deus manda pra matar a sede em meio ao deserto. Não somente isso, Jesus vai além quando diz que jamais teriam sede depois de beber “dele”. Pra os fariseus bastava. Já era demais. Esse episódio gera uma grande contenda entre todos e o que se queria era arrumar uma forma de surpreender Jesus em algum delito grave. Como fazer isso? Bom, o dia já estava declinando e era momento de descansar. Todos vão para suas casas enquanto Jesus vai para o monte. Na madrugada do dia seguinte, Jesus (como bom professor) está cedo nas escadarias do templo esperando a multidão que ansiosamente ouviria seus ensinos. A multidão cerca Jesus para ouvir suas palavras de vida e no meio do estudo, os fariseus aparecem com uma mulher que foi supostamente pega em ato de adultério. Sim, pega em ato de adultério. Algumas perguntas me surgem: 1. Como os fariseus podiam saber exatamente onde estava acontecendo um adultério? 2. Se soubessem onde havia um adultério, como poderiam saber exatamente o momento de consumação do ato? 3. Onde está o homem que adulterava com a mulher? Na Lei, ambos devem ser apedrejados e mortos diante de comprovação da acusação. Alguns fatos são importantes: de acordo com os rabinos a pena para este crime era dura e havia classificações de acordo com o grau: a. adultério com mulher casada: apedrejamento; b. adultério com filha de sacerdote: queimava-se a pessoa; c. adultério descoberto no ato das núpcias do casamento: estrangulamento. Apesar destas duras penas previstas no código penal, os rabinos queriam que isso ficasse apenas na ordem teórica. Na ordem prática essas penas não eram aplicadas. O criminoso só era realmente sentenciado a receber a pena máxima quando ele dizia o seguinte: Eu sei e não me importo; eu assumo as consequências. Caso isso não fosse ouvido, como forma de substituir a pena máxima era usado o açoite.  O fato era que uma mulher estava sendo humilhada em local público diante de muitas pessoas e Jesus seria o responsável por estabelecer um julgamento. O que fazer? Se autorizasse o apedrejamento, Jesus estaria se comprometendo com as leis romanas e seria preso por autorizar a morte de uma pessoa, ato somente autorizado pelo governo romano. Se liberasse a mulher estaria infligindo a Lei de Moises e arrumaria um sério problema com os fariseus. Enfim, as pedras estavam nas mãos dos fariseus de uma forma ou de outra. Quem seria apedrejado? Jesus é claro. Jesus calmamente escreve na poeira sobre as escadarias e depois de muita insistência por parte dos fariseus, se dirige aos “acusadores” autorizando jogar pedras, porém, depois de uma análise: atire a primeira pedra aquele que não tem pecados. O que se vê é uma cena poderosa: todos, começando dos mais velhos e chegando aos mais novos, vão largando suas pedras e indo embora. Jesus está de cabeça baixa e continua escrevendo na poeira. A mulher adúltera está completamente constrangida. Constrangida? Sim, constrangida. Mas, com o que? Com o amor de Jesus. Ninguém trata uma pessoa pega em ato de adultério dessa forma. Esse fator se expressa de forma incrível quando Jesus percebe que ela não havia ido embora. Ela ficou justamente no local onde fora colocada no início da acusação. E por que não aproveitou e foi embora? Porque dentro do seu coração estava acontecendo uma mudança imensurável. Ele estava tendo um encontro com alguém que não tem prazer de apontar o dedo e citar pecados, mas que tem prazer de dizer: Eu também não te condeno. Jesus era o único que poderia acusar e condenar aquela mulher e não o fez. Mas como? Ela não era adúltera? Sim. Mas não era mais necessário apontar os defeitos daquela mulher. Isso já foi feito através dos fariseus. O que Jesus faz é constrangê-la a mudar de vida através de seu profundo amor. Ahhh, Jesus concluiu: Não peques mais.
O que me faz mudar de vida e abandonar a vida de pecado é o grande amor de Deus. Ele me constrange a uma mudança de atitudes.

Boaz A. Sperber

Avivamento SIM!

Esse termo é muito expressivo dentro do “mundo” cristão evangélico e tem maior influência dentro da tradição pentecostal. De certa forma, o avivamento é de extrema necessidade em nossos dias, aliás, ele sempre foi necessário em todos os períodos da história humana. Temos que somente destacar o que é realmente avivamento. Analisando o que diz o Wikipédia, o termo é associado à acontecimentos, moveres espirituais, em que há transformação de vidas. Isso tem base importante nas escrituras, não somente no NT, mas no AT,  onde vimos esses acontecimentos transformar a vida de nossos irmãos na fé como Abrrão, Isac, Jacó, entre outros. O NT traz uma ação poderosa do Espírito Santo gerando esse avivamento nos levando a mudar características de nossas vidas que desagradam a Deus. Esse processo de ser impactado pela ação de Deus produzindo arrependimento e nos levando próximos Dele, é avivamento. Pra mim o tema tem profunda relevância no atual contexto e precisa ser tratado de forma original e responsável. Ouvi ontem, um determinado “irmão” comentando o seguinte: “Minha igreja está passando por um grande avivamento. Todos os dias pessoas são renovadas; existe muita ação do Espírito e se torna impossível segurar as emoções”. Isso é muito bom! Porém, isso não significa que estão passando por um verdadeiro avivamento. Avivamento necessariamente produz mudança de vida. Mudança de conduta. É inevitável fazer alguns julgamentos (perdoem-me). Não acredito em avivamento genuíno quando o sujeito não muda de conduta. Avivamento transforma a vida do sujeito. Não concordo com cristãos “avivados” que continuam a andar de forma sensual, lasciva. Não acredito em cristãos avivados que continuam mentindo e murmurando da vida de outras pessoas. Não entendo como cristãos que estruturam seu relacionamento com Deus em barganha de dar pra receber; de pagar “penitência” pra serem atendidos, podem se auto-nominar avivados. Creio sim, em avivamento quando Deus se torna condutor de minha vida. Quando minhas obras carnais são deixadas de lado e agora passo a viver uma nova vida em Cristo Jesus. Creio em avivamento quando abandono uma vida escravizada pelo pecado e passo a ser santificado pelo Espírito Santo. Creio em avivamento quando este é alicerçado em oração, leitura bíblica e arrependimento. Chega de avivamentos mentirosos que procuram massagear o ego de homens e mulheres prazerosos em satisfazer seus desejos hedonistas. Avante ao avivamento produzido pelo desejo de intimidade com Deus através de Palavra, Oração e Arrependimento. Que sejamos todos cheios de Deus a ponto de causarmos barulho dentro de muitos corações causando constrangimento pelo pecado. Precisamos voltar ao Evangelho já!


Boas Alberto Sperber

Cada um veja como Edifica


“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele “ 1 Coríntios 3:10
Paulo nos dá, no capítulo três desta primeira carta aos Coríntios, um ensinamento muito importante sobre a obra de Deus. Sobre essa construção poderosa chamada igreja. Tentando acabar com as divisões e partidarismos na igreja, ele nos mostra que não devemos de maneira nenhuma nos apoiar neste ou naquele pastor ou pregador, mas devemos de estar apoiados em Cristo, a grande pedra de esquina. O único alicerce da igreja ainda continua sendo Cristo, autor e consumador de nossa fé. Paulo se coloca como sábio arquiteto que colocou o fundamento nessa construção. Isso faz grande sentido quando analisamos a pregação de Paulo e sua conduta. A pregação se baseava na cruz de Cristo.
Mas, Paulo já foi e agora outros começam a edificar sobre esse fundamento. A advertência soa forte à mente quando o apóstolo dos gentios alerta que cada um que edifica deve olhar COMO edifica. Nossa responsabilidade como construtores desse edifício é muito grande. Paulo ainda nos traz alguns materiais que podem ser usados nessa construção. Podemos separa-los em duas classes: a) os celestiais – ouro, prata e pedras preciosas. São os elementos que colocados sobre fogo resistirão a ele. Podemos notar nitidamente quando alguém constrói com esses elementos. Onde eles estão presentes a obra é feita com amor, carinho, serviço; não existe competição e nem orgulho de qualquer coisa; a vontade de Deus é que conta e não o desejo humano. Por mais que a vontade de Deus seja incompreendida no momento, ela é obedecida e executada. b) os elementos humanos – madeira, palha e feno. São elementos que passados pelo fogo deixam de existir. Acabam. São elementos que caracterizam o desejo humano prevalecendo na obra de Deus; ciúmes, contendas, partidarismos, orgulho entre outros.
De que jeito estamos construindo? De forma duradoura. Com elementos do céu. Com estacas firmes e materiais divinos? Ou com matéria-prima humana. Coisas que o fogo vai destruir?
CADA UM VEJA COMO EDIFICA, sabendo que receberá de Deus conforme suas obras!



Boaz Alberto Sperber
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