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Saudação de Judas



Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo, a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados – Jd 1-2



JUDAS, IRMÃO DE TIAGO

Judas é irmão de Tiago que juntos são irmãos “carnais” de Jesus Cristo. Judas era um nome bem comum naquele tempo e para se diferenciar e criar um elo de ligação aos seus leitores, o autor se coloca como irmão de Tiago, o que lhe dá um certo prestígio e atenção entre seus leitores.


SERVO DE JESUS CRISTO          
A expressão servo que Judas usa pra seguir na apresentação, vem do grego doulos (doulos) e se traduz literalmente como servo/escravo. Essa associação que Judas faz de seu relacionamento com Cristo mencionando ele ser escravo do Senhor é um tanto quanto intrigante aos leitores em geral. Haviam bastante escravos naquele tempo e todos sabiam o que Judas estava dizendo. Ele estava simplesmente dizendo que era um ser humano que havia entregue seu corpo, sua vida, com todas as forças e capacidades produtivas para outra pessoa. Ou seja, ele agora se declara pertencente a seu senhor, no caso, Jesus Cristo. Judas qualifica-se desta forma sabendo e conhecendo quem Jesus era. Isso tem uma importância grande quando olhamos para o fato de Judas ser irmão de Jesus (biologicamente). Judas reconhece o senhorio de Cristo sob sua vida. Jesus se torna o kyrios (expressão grega para chamar de senhor) de sua vida. Ele reconhece que Jesus é o Senhor. Judas “pertence” a Jesus. Jesus o adquiriu das trevas, do poder de satanás colocando sob sua responsabilidade e cuidados através do sangue vertido na cruz do Calvário. Judas se intitula dessa forma com grande alegria. É prazeroso ser servo/escravo de Cristo. É importante salientarmos que o termo servo/escravo, está diretamente ligado com “serviço”. Logo podemos dizer que aquele que é servo/escravo deve logicamente estar em serviço. Nesse sentido o termo denota grande dedicação no serviço do servo ao seu senhor.

AOS CHAMADOS, AMADOS EM DEUS PAI
Os chamados são a “igreja”. Isso nos mostra como Judas “enxerga” a Igreja: sempre de forma teocêntrica, ou seja, centralizada em Deus. Em suma, Judas está nos mostrando que a igreja é caracterizada por pessoas que são chamados por Deus não por qualidades ou realizações, mas simples e puramente pelo chamado de Deus. A Igreja é o que é pelo agir de Deus no meio dela. Não são nossas obras ou méritos que nos qualificam a participar dela, mas entramos na congregação do Messias porque Deus nos elegeu e ordenou para estarmos nela. Praticamos obras sim, porque temos um compromisso diante de Deus e dos homens e dessa forma somos impulsionados pelo Espírito de Deus a sermos “pequenos cristos” (cristão) aqui no mundo onde vivemos. Precisamos resplandecer a glória de Deus aos homens. Toda essa eleição e vocação divina para o ser humano se dá de forma poderosa no amor de Deus. Somos amados não somente por Deus, mas em Deus. Isso é poderoso porque aponta um amor ágape, que mesmo antes de ser membros dessa comunidade de cristãos já contávamos com o amor de Deus por nossas vidas. Independente de nossa existência cristã o amor de Deus existe e se revelou em Cristo Jesus de forma magnifica na cruz.

GUARDADOS EM CRISTO JESUS
Um amor de verdade precisa ser expressado de forma verdadeira também. É assim que somos guardados/preservados em Cristo Jesus. Dessa forma, temos a certeza de que estamos sendo preservados em toda e qualquer situação de nossa caminhada cristã. A expressão fala que estamos sendo cuidados por Deus em Cristo para chegarmos ao final de nossa carreira com a fé assegurada. Que maravilhoso saber que Deus nos guarda com tanto carinho. Mas não é somente isso. Somos também guardados para Cristo. Essa nota tem alcance escatológico. Isto é, estamos sendo preservados para Cristo. Para o momento em Cristo vier buscar o povo santo, zeloso e que pratica boas obras.

 A MISERICÓRDIA, A PAZ E O AMOR, VOS SEJAM MULTIPLICADOS
Neste momento, Judas está anunciando a bênção para os destinatários da carta. O desejo de Judas era que Deus desse em rica medida aos seus destinatários misericórdia, paz e amor. Que anelo maravilhoso. Quem “puxa a fila” da bênção é a misericórdia que não é somente uma simpatia de Deus para conosco, mas foi evidenciada de forma literal e sacrificial na cruz através de Cristo. Somente por misericórdia divina Cristo se doou na cruz por nossos pecados. Ela demonstra claramente a dedicação fundamental de Deus a nós. A misericórdia é a manifestação exterior da piedade. Ela presume necessidade por parte daquele que a recebe e recursos adequados por parte daquele que a mostra.
A paz que foi desejada para os destinatários ainda hoje precisa estar presente em nossas comunidades. O termo hebraico shalom (paz) não tem somente um sentido meramente de paz sentimental, mas é ampliado de forma que podemos notar paz mesmo em meio a grandes tribulações e lutas. Temos, graças a Jesus, a paz que o mundo não tem. Jesus nos deu a paz que excede todo entendimento. Podemos ter paz mesmo em meio a guerra. Essa paz é evidenciada no nosso relacionamento com Deus e reflete de forma literal no nosso relacionamento com o próximo.
O amor. O amor é imprescindível. Ele é a base de nosso relacionamento com Deus e do relacionamento com nosso semelhante. Estas duas faces do amor são inseparáveis: não posso amar a Deus sem amar a meu irmão; e não tenho condições de amar meu irmão sem o amor de Deus. Diante disso podemos concluir que essas coisas não são “propriedades” nossas, mas são bênçãos advindas de Deus. Lembrando sempre que Deus deseja nos renovar abundantemente e diariamente com misericórdia, paz e amor.

Boaz Alberto Sperber

Cada um veja como Edifica


“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele “ 1 Coríntios 3:10
Paulo nos dá, no capítulo três desta primeira carta aos Coríntios, um ensinamento muito importante sobre a obra de Deus. Sobre essa construção poderosa chamada igreja. Tentando acabar com as divisões e partidarismos na igreja, ele nos mostra que não devemos de maneira nenhuma nos apoiar neste ou naquele pastor ou pregador, mas devemos de estar apoiados em Cristo, a grande pedra de esquina. O único alicerce da igreja ainda continua sendo Cristo, autor e consumador de nossa fé. Paulo se coloca como sábio arquiteto que colocou o fundamento nessa construção. Isso faz grande sentido quando analisamos a pregação de Paulo e sua conduta. A pregação se baseava na cruz de Cristo.
Mas, Paulo já foi e agora outros começam a edificar sobre esse fundamento. A advertência soa forte à mente quando o apóstolo dos gentios alerta que cada um que edifica deve olhar COMO edifica. Nossa responsabilidade como construtores desse edifício é muito grande. Paulo ainda nos traz alguns materiais que podem ser usados nessa construção. Podemos separa-los em duas classes: a) os celestiais – ouro, prata e pedras preciosas. São os elementos que colocados sobre fogo resistirão a ele. Podemos notar nitidamente quando alguém constrói com esses elementos. Onde eles estão presentes a obra é feita com amor, carinho, serviço; não existe competição e nem orgulho de qualquer coisa; a vontade de Deus é que conta e não o desejo humano. Por mais que a vontade de Deus seja incompreendida no momento, ela é obedecida e executada. b) os elementos humanos – madeira, palha e feno. São elementos que passados pelo fogo deixam de existir. Acabam. São elementos que caracterizam o desejo humano prevalecendo na obra de Deus; ciúmes, contendas, partidarismos, orgulho entre outros.
De que jeito estamos construindo? De forma duradoura. Com elementos do céu. Com estacas firmes e materiais divinos? Ou com matéria-prima humana. Coisas que o fogo vai destruir?
CADA UM VEJA COMO EDIFICA, sabendo que receberá de Deus conforme suas obras!



Boaz Alberto Sperber

Porque não frequento uma megaigreja (pra pensar)


Resisto à tendência das megaigrejas, preferindo lugares menores, longe dos holofotes. Nunca entendi completamente o porquê até descobrir por acaso esta observação paradoxal na obra Hereges, de G. K. Chesterton:
“O homem que leva a vida numa comunidade pequena vive num mundo muito mais amplo. (...) A razão é óbvia. Numa comunidade grande podemos escolher nossas companhias. Numa comunidade pequena nossas companhias estão escolhidas para nós.”
Precisamente! Podendo escolher, tendo a associar-me a gente como eu: gente com um diploma universitário, que bebe café na Starbucks, ouve música clássica e compra carros com base nas avaliações de consumo de combustível da Agência de Proteção Ambiental. No entanto, a companhia de gente como eu logo me aborrece. Grupos pequenos (e igrejas pequenas) me forçam a ficar lado a lado com todos os demais.
Henri Nouwen define “comunidade” como o lugar onde a pessoa com quem menos desejamos estar sempre está. Muitas vezes nos cercamos de gente com quem mais queremos conviver, e isso forma um clube ou uma panelinha, não uma comunidade. Qualquer um pode forma um clube; exige-se graça, visão compartilhada e trabalho duro para formar uma comunidade.
A igreja cristã foi a primeira instituição da história a reunir em pé de igualdade judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e homens livres. O apóstolo Paulo foi muito eloquente acerca desse “mistério que, durante épocas passas, foi mantido oculto em Deus”. Formando-se uma comunidade de membros diferentes, disse Paulo, temos a oportunidade de chamar a atenção do mundo e até mesmo do mundo além do nosso (Ef 3:9-10).
Sob alguns aspectos, a igreja fracassou tristemente nessa tarefa. (Concordo, Billy Graham, 11 horas de domingo é ainda a hora em que há mais segregação nos estados unidos). Mesmo assim, até igrejas em que 100% dos membros são brancos ou negros exibem diversidades de idade, educação e classe econômica. A igreja é o único lugar que eu visito que junta gerações: bebês que ainda mamam, crianças que contorcem e sufocam risos nos momentos menos adequados, adultos responsáveis que sabem como agir apropriadamente em todas as ocasiões e idosos que cochilam se o pregador estica demais o sermão.
Procuro deliberadamente uma congregação que inclua gente não igual a mim e percebo que é mais difícil evitar gente assim em igrejas menores.

Philip Yancey – Sinais da Graça – pág. 167.
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