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Pai Nosso – Verso 13

E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal, Amém! - Mateus 6:13


      Se no verso 12 pedimos ao Pai para cuidar de nosso passado (perdoa nossos pecados), agora vamos solicitar que Ele cuide também de nosso futuro. O pedido agora é para que não nos permita cair em tentação. Nos colocamos diante dele não como quem tem poder sobre sua carne, ao contrário, nos colocamos diante Dele como quem reconhece suas fraquezas e sabe que não pode brincar contra elas. Estamos pedindo pra que Deus através de seu Espírito não permita que venhamos cair em nosso próprio desejo carnal. A tentação trabalha justamente dentro desse ambiente de meus desejos maus, pecaminosos, carnais. Não temos outra alternativa contra esses desejos a não ser que colocamos/confessamos elas à Deus que pode nos ajudar a vence-las.
      Livra-nos do mal! Não somente que Deus venha nos livrar do maligno e de sua aparência, mas que também Deus nos livre de sermos malignos com os outros. Temos aversão ao mal e ao maligno mas em dados momentos praticamos atos maus contra nosso semelhante. Isso também é pecado e também deve ser colocado diante de Deus. Que Deus nos livre do mal e de sermos malignos.
Encerrramos a oração com “Assim seja”. Afirmamos que nossa oração foi entregue a Deus de forma autêntica e que atestamos nosso desejo de que Deus “trabalhe” dentro de nossa oração feita. É uma palavra muito importante para cristãos, pois está dizendo que concordamos com aquilo que acaba de ser feito.


Boaz Alberto

Pai Nosso - verso 12

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores – Mateus 6:12

Continuação. 05/11 – verso 9; 07/11 – verso 10; 09/11 - verso 11; verso 12, hoje.

      Nesta parte da oração revela-se qual nossa real situação diante de Deus: devedores. Ou seja, estamos transferindo diante de Deus a situação credor e devedor. O devedor tem o dever incondicional de pagar. O não pagamento na antiguidade era punido de forma muito severa. Isso se constitui uma ofensa ao direito. Mas como surgem as dívidas perante Deus? Quando não damos à Ele o que lhe pertence. Não pagar se constituía uma ofensa muito grande, mas de outro lado, perdoar a dívida se constituía uma bondade inacreditável, muito elogiada na antiguidade. Como discípulo de Jesus, sempre estarei diante de Deus como um devedor que a cada dia carece de realizar e de dar tudo o que pertence à Ele.

      Existem alguns segredos importantes neste trecho para recebermos de Deus este perdão: 1. Somente receberá o perdão de suas dívidas diante de Deus quem ora clamando por este perdão; 2. Deus só pode perdoar quem perdoa. Note o verso 14 e 15: Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. Parece que Deus tem suas “mãos amarradas” e não pode nos perdoar agora. O Deus todo poderoso “perde” seu poder diante de nossa ação de não perdoar aos que nos machucam. Interessante! Além disso não existe uma classe de pessoas que devo perdoar. Deve perdoar a todas as pessoas. Quanto devo perdoar? 70 x 7, isso tudo em um só dia, isto é, sempre e sempre de novo. O termo original usado na oração está no modo perfeito: “como temos perdoado”, ou seja, quem ainda não perdoou o próximo não pode fazer a oração do Pai Nosso eficazmente. Isso é visto claramente na severa explicação dada por Jesus nos versos 14 e 15 citados acima. Perdoar é cancelar uma dívida. Mais que isso, perdoar, é restabelecer um laço que foi danificado. É justamente isso que Cristo faz conosco quando nos perdoa e restaura nossa comunhão com Deus e é isso que devemos de fazer com nosso próximo: cancelar uma dívida do passado e reconstruir este laço quebrado. 

Até o verso 13

Boaz Alberto

Pai Nosso - verso 11


O pão nosso de cada dia nos dá hoje; Mateus 6:11


(Continuação. 05/11 – verso 9; 07/11 – verso 10; hoje o verso 11.)
      O que pra muitos tem se tornado a grande tônica de sua oração, pra Jesus ocupa um pequeno mas importante lugar em sua oração, ou seja, ela tem seu lugar, mas com ênfase correta. Notadamente, a grande maioria dos seres humanos é materialista. Isso se deve muito à herança nos deixada pelas muitas gerações que se passaram e agora em grau acentuado, estamos notando uma busca muito grande pelo material. Jesus coloca em sua ordem de “petições”, em primeiro lugar as necessidades relativas ao reino de Deus e nossa comunhão com Ele. Depois ele faz uma petição relativa as coisas materiais. Sua oração é um pedido que demonstra a total dependência de Deus. Ele não pede mais do que o necessário para manutenção da vida.
Agur nos ensina algo muito importante em seu provérbio: “Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão”. Pv 30:7-9. O que vemos é um homem “sábio” notando que uma coisa é necessária: “ter o suficiente para se viver de modo digno diante de Deus e glorifica-lo nisso. Isso se torna como uma afronta diante do modo de vida ditado pelo hedonismo predominante em nosso tempo. Alguns fazem apologia à pobreza enquanto outros pregam a teologia da prosperidade, mas graças a Deus que nos deixa a Sua palavra, mostrando que a dependência de Deus é suficiente para nos garantir a manutenção da vida. Jesus está pedindo a Deus o pão de cada dia e não o pão para uma semana/mês/ano inteiro. O que Ele está dizendo é que o Reino de   Deus não consiste em comida ou bebida, mas existem outras prioridades para os “servos” deste reino. Paulo aconselha Timóteo da seguinte forma: “Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes”. 1Tm 6:7-8.
      Outro detalhe do pedido por “pão” mostra-nos toda ausência de luxo e ânsia pelo consumo. A oração de Jesus ensinada à seus seguidores nos orienta a pedirmos coisas simples e a controlar nossos desejos. Essa oração pode ser encaixada perfeitamente dentro de Mateus 4: 1-4 quando Jesus está sendo tentado pelo diabo, depois de 40 dias de jejum e agora fadigado, a transformar pedras em pães para suprir sua necessidade física. O que está em jogo no momento é o simples fato de Jesus usar o poder a Ele delegado (Ele é Deus) para simplesmente transformar pedras em pães (fazer um milagre em prol de si mesmo) para satisfazer seu desejo momentâneo e provar que é realmente Filho de Deus. Ainda hoje, esta proposta está afetando muitos “filhos de Deus” que não sentem mais o desejo de depender de Deus e que não lembram mais que não é somente de pão que o homem vai viver mas de toda Palavra que sai da boca de Deus. Em outros termos, Deus pode nos saciar a fome de pão a qualquer momento se quiser e por isso não precisamos usar o fato de sermos “filhos de Deus” para benefício próprio ou para provarmos que somos realmente filhos de Deus transformando pedras em pães. Isso é correr na contra mão de uma sociedade que vive transformando pedras em pães. O mundo está cheio de Homens que usam o Evangelho para determinar (de forma equivocada) que nasceram para o sucesso ou para serem prósperos (obs.: prosperidade à luz da Palavra é sempre satisfazer os desejos de Deus e não os meus).

      Durante 40 anos o povo de Israel é mantido por Deus com maná em meio ao deserto. E não se podia guardar o maná de um dia para o outro (exceto no sábado) senão ele estragaria apodrecendo. Isso tudo porque Deus mandava maná logo cedo no outro dia novamente. Deus estava provando com isso que quer um povo dependente Dele em qualquer situação. Isso nos apresenta um Deus que se importa conosco, quer que estejamos totalmente debaixo de seus cuidados e que estabelece outras prioridades em nossa vida ante ficarmos ricos ou fartos de bens materiais. Atente para o conselho de Paulo: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” – Cl 3:1-2


Até o verso 12

Boaz Alberto

Pai Nosso - verso 9

      O assunto oração é muito amplo na Bíblia. O artigo não tem como objetivo criar uma “doutrina única” sobre o assunto, mas visa somente fazer uma explanação do que Jesus nos ensina no texto de Mt 6:9-13. Para uma melhor assimilação, vamos falar sobre cada um dos versos que compõem o texto. Hoje falaremos sobre o verso 9 do texto citado.

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

      Antes de tudo é importante lembrar que melhor do que orar muito tempo, é saber como orar com eficácia seguindo sempre o que a Palavra de Deus nos ensina. Orar de forma correta é essencial. Não posso comunicar Cristo com autoridade sem que tenha conhecimento Dele pra isso. Esse contato/comunhão nos é garantido através da oração: Uma via de mão dupla que nos mantém em contato com Deus.
      No verso 9 de nosso texto, Jesus, após dizer como não devemos orar (não seja hipócrita e gentio – versos 5 e 7 de Mateus 6 respectivamente) vai nos ensinar como devemos de orar. Lembrando sempre que precisamos viver a oração do pai nosso, estar dentro dela, orar de acordo com seus princípios e em momento algum torná-la um “mantra”. Como devo orar então? Devemos de orar a um Pai. O tratamento que os membros da igreja de Cristo tem como Deus agora é um tratamento de pai para filho. Isso nos é garantido quando fomos, através de Cristo, adotados como filhos por este Pai (Ef 4:5). Não oramos mais a um Deus longe, distante e desinteressado por nossa vida, mas oramos para um Pai, presente e interessado em ouvir nossa oração, desejoso de conversar conosco. Pai mostra bem aquilo que Deus é para seus filhos: cuidador, amoroso, disciplinador (no sentido de ensino e correção), consolador, gerador de vida, etc.. Note que este Pai é “nosso”. Isso nos fala que somente quem está dentro do corpo de Cristo tem o prazer de orar a este Pai. A oração do Pai nosso é feita por pessoas salvas em Cristo Jesus. A esfera da oração é a esfera do corpo de Cristo. Ele é Pai Nosso. Nosso mostra que tenho irmãos. Logo as coisas mais importantes não são as minhas, mas as nossas. A prioridade agora deixar de ser meu desejo e passa a ser as necessidades do corpo de forma geral. Isso me mostra que tenho que aprender a conviver com meus irmãos e colocar tudo diante deste Pai em oração. Quando falo tudo, falo que tenho que colocar nossas necessidades, nossos desafios, nossa comunhão, nossas dificuldades, ou seja, tenho que estar ligado ao corpo para orar ao Pai. Ele é pai nosso, que está onde? Nos céus. Ao mesmo tempo que estamos falando com um Deus tão próximo que é Pai, estamos falando com um Deus que está nos céus. Isso não quer dizer que Deus está somente nos céus. Deus está em todo lugar. Mas isso quer dizer que devemos sempre nos lembrar da soberania de Deus ao conversarmos com Ele. Ele é santo e soberano e por isso temos que nos dirigir a Ele com respeito e sabendo quem Ele realmente é. Depois, Jesus nos ensina a pedir/desejar algumas coisas que vem de Deus pra nós. A primeira delas é que o nome de Deus seja santificado. Em outras palavras, que o nome de Deus tenho peso em minha vida. Que o nome de Deus tenha valor em minha vida. O nome Dele não pode se tornar algo comum, mas sempre tem um peso de moldar nossas vidas. Que Ele faça a diferença em minha vida particular como também na comunidade cristã como um todo. Que realmente as pessoas vejam Deus fazendo a diferença em nosso convívio. Não podemos tratar Deus como qualquer coisa. Ele não é qualquer coisa. O nome que deve ter peso é o Dele em mim e não o meu diante dos outros. O nome de Deus fazendo diferença em minha vida se traduz em uma vida de adoração. Adoração é aquilo que rendemos a Deus (glória, honra e louvor) independente de circunstâncias.

Até o verso 10!

Boaz Alberto


Oração não respondida



Quem nunca sentiu um vazio em suas orações. Ou momentos em que parece que estamos falando sozinhos. Quem já orou por coisas que nunca aconteceram? Acredito que todos nós. Ou pelo menos ainda não aconteceram. Se vão acontecer? Não sei. Deus sabe. Sempre quando falamos com pessoas que tem uma vida de oração, ouvimos grandes relatos de orações que foram respondidas. Momentos em que Deus reage à oração “movendo” sua mão em favor daquela petição. Poucos são (ou quase nenhum) os relatos de pessoas que nos contam que estão orando a muito tempo sem se quer ouvir de Deus um não, ou um talvez. Deus simplesmente não se pronuncia. Pessoas que estão a tanto tempo clamando por um milagre da parte de Deus por um familiar enfermo, mas Deus não cura e a pessoa acaba falecendo sem que ao menos uma resposta de Deus seja ouvida. O Homem tem uma sede insaciável de ouvir respostas de Deus. Porém nem sempre elas nos são dadas. Deus tem a soberania de responder ou não. Ele não tem a obrigação de responder, porém eu tenho o dever de orar. Nenhum ser humano por mais sábio e espiritual que seja, pode interpretar os caminhos de Deus. Explicar porque um milagre acontece e outro não. Porque algumas orações são respondidas e outras não. O que preciso fazer então: confiar e esperar. Agora conhecemos em parte, como um reflexo obscuro mas, chegará o momento que conheceremos plenamente da mesma forma como sou plenamente conhecido, nos fala Paulo.

Boaz Alberto

Orando com Jesus



Jesus quando é solicitado a ensinar seus discípulos a orar (Lc 11:1) nos traz alguns ensinamentos importantes. Jesus ensina a oração modelo. Ela não é nenhum “mantra”, mas uma sólida base de prioridades para quem deseja orar. Jesus nos adverte sobre duas características negativas que não devem ser usadas em nossas orações. Coisa que acontecia naqueles dias e ainda acontece hoje. Ou será que não? Vamos ver.
Mt 6:5 – Não sejam como os hipócritas. Quem são eles? Pessoas que apreciam estar em pé nas sinagogas e nas esquinas para serem admirados. Mas não é só isso. O termo se refere a alguém que representa. Isso mesmo: um ator. Isso me lembra de pessoas que não oram em casa, não tem comunhão com Deus, mas representam tão bem essa situação que até enganam muitos. Muitos! Menos Deus. Muitos! Menos ele mesmo. Pessoas que representam ter comunhão, mas nem sequer trocam meia dúzia de palavras com Deus diariamente. Hipócrita!
Mt 6:7 – Parece que Jesus está dizendo que não devemos insistir com Deus. Não é isso. Ele está falando de pagãos. O que é um pagão? Uma pessoa que não conhece Deus. Os pagãos tinham o costume de repetir várias vezes as mesmas coisas para seu deus até que ele ficasse “irado” e finalmente atenderia o pedido. Esses pedidos eram relativos a coisas cotidianas como roupa, alimento e coisas do tipo. Jesus nos adverte que dessas coisas Ele cuida. Não precisamos estar ansiosos quanto a estas coisas… Ele cuida de nós.
O que Jesus quer nos mostrar com a oração do Pai Nosso é que devemos buscar a Deus de coração. Com necessidade de relacionamento e não de barganha. Jesus dá duas dicas pra isso acontecer:
1. Entra no teu quarto e fecha a porta atrás de você: não significa que devemos de se trancar em um quarto necessariamente, mas que devemos tirar tempo pra estarmos a sós com Deus. É o momento que nos despimos de toda máscara e representação que criamos no dia a dia. É somente você e Deus;
2. Faça uma oração sincera. Não use repetições vãs. Seja autêntico. Fale com Ele aquilo que realmente está acontecendo. Use seu vocabulário. Exponha seus sentimentos. Chore. Grite. Clame. Isso é você de verdade.
E lembre-se: oração é um dialogo (conversa de duas pessoas) e não um monólogo (conversa de uma pessoa só). Aliás, você não é louco.

A exemplo de Jonas...

Na sua fuga de Deus, Jonas ora somente em um momento específico. Quando ele decide fugir ele não ora. Também não ora quando decide ir a Jope. Pra entrar no navio, a direção de Deus também não foi buscada. Jonas não ora durante a tempestade. Não ora quando os marinheiros pagãos oram. Ele não orou quando foi atirado ao mar em meio a terrível tempestade. Mas quando é engolido pelo grande peixe, ele dirige uma palavra de oração a Deus. Somente na extrema necessidade Jonas sente a necessidade de orar. Acompanhando a linha de acontecimentos podemos dizer que o caminho da desobediência enfraquece nossa vida de oração. É por isso que Deus permite o sofrimento e usa-o pra nos trazer de volta aos seus pés. Sempre digo que o sofrimento e a dor nos levam a tomar atitudes que nunca tomaríamos normalmente. Foi lá dentro do grande peixe que Jonas percebe que Deus está manobrando todas as coisas. O teor da oração de Jonas é um salmo de louvor a Deus. Em nenhum momento Jonas esboça uma petição, mas sua oração é composta de ação de graça, contrição e renovada dedicação. Acredito que Deus está levando muitos fugitivos ao deserto, muitos crentes pedintes a situações caóticas simplesmente para que percebam que a graça de Deus sempre está próxima e que Deus comanda todas as coisas. A exemplo de Jonas, somos levados ao desespero para que possamos ter mais intimidade com esse Deus soberano. Deus quer ouvir nossa oração. Devemos orar em todos os lugares, nas ruas agitadas de nossas cidades, nas universidades, no trabalho, enfim, o local não é tão importante. Importante é que oramos.

 
Boaz A. Sperber
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