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Secularização



Uma das mais importantes cidades da Ásia no contexto bíblico. O nome foi uma homenagem do imperador a sua esposa Laodice. Ela era famosa por três coisas: um sistema bancário poderoso; uma incrível escola medicinal, responsável pela fabricação do Pó Frígio (um poderoso colírio); a manufatura de lã preta que originava roupas belíssimas e de grande valor agregado.
Nesse contexto surge a igreja (já explicamos um pouco no artigo sobre Pérgamo). Acontece que a igreja, influenciada pelo contexto em que vive, relata suas “qualidades”: somos ricos e de nada temos falta. A igreja era indiferente. Tanto faz como tanto fez. Assim como uma cozinheira usa o sal para fazer a diferença no sabor dos alimentos, a igreja “serve” para fazer a diferença no mundo. Ela não pode ser indiferente as coisas que acontecem ao seu redor: homossexualismo, aborto, fome, guerras, indiferença social, corrupção, etc. Somos tão espirituais (ou achamos que somos) que não temos tempo para estas coisas. Quando pensamos assim é porque estamos mortos espiritualmente.
Agora é a vez de Jesus apontar as qualidades dessa igreja:
“ Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” Apocalipse 3:17.
Uma opinião nada condizente com aquilo que a igreja pensava ser. Totalmente o contrário! Que pena que estamos avaliando nossas igrejas com olhar de homens. Vamos mudar o receptor da pergunta: Jesus, o que o Senhor pensa de minha igreja? O que o Senhor pensa da Igreja da minha geração? Será que estamos com os bolsos cheios de dinheiro, com roupas caras e belas (parece desfile) e com os olhos arregalados para os atraentes benefícios do mundo, mas indiferentes à tudo o que Deus tem pra nós? Ou indiferentes pra tudo o que Deus quer de nós.
Pra Laodicéia havia um escape: arrependimento e zelo. Arrependimento é voltar atrás; fazer o que é certo; parar de fazer o que é errado. Zelo é paixão; inflexibilidade; fazer as coisas pra Deus com prazer e alegria.
Medite nisso.

Boaz Alberto

Acorda


Levanta-te e invoca ao teu Deus! Essa frase é pronunciada pelo comandante do navio que está no meio de uma tempestade indo para Társis. Quem é alvo desta frase? Jonas, o profeta dorminhoco. Depois de Deus ter falado com Jonas dizendo em frase idêntica para o profeta se “dispor” e ir para Nínive evangelizar aquele povo, ele foge e se encontra dormindo dentro de um navio na mais alta tempestade. Todos estavam perecendo e Jonas estava indiferente a situação. Jonas é um cristão que não prega a Palavra de Deus, mas é “exortado” pelos ímpios. Ainda hoje a história se repete. Deus tem-nos dado uma palavra pra este mundo e eles estão aguardando a salvação que deve ser proclamada por nós, os profetas deste tempo. Mas a profecia não sai de nossos lábios. Ao contrário disso, estamos sempre achando um meio de fuga de nossas responsabilidades. Ora é o trabalho, ora a família. Ora o tempo, ora a condição financeira. Ora o temperamento, ora a intelectualidade. Enquanto ficamos dentro de nossos sentimentos conflitantes, o mundo fica esperando. Uma espera cada vez mais angustiante para Deus. Pessoas estão todos os dias morrendo, se matando sem encontrar em nossos lábios uma palavra de salvação. Drogas e prostituição já estão fazendo a cabeça de muitos Homens enquanto ficamos calados fugindo de nosso ofício. O que sabemos fazer é fugir e dormir. Dou graças a Deus quando Ele ergue mesmo pagãos (pessoas que não conhecem a Deus) para nos exortar e nos levar a responsabilidade de nosso chamado. Assim como Jonas foi repreendido por tentar fugir de Deus, somos repreendidos todos os dias nos noticiários de jornais, nas capas das revistas, nas manchetes das redes sociais. Sempre tem alguém dizendo “por que isso acontece?”. Eu sei porquê muitas dessas coisas acontecem: os homens e as mulheres de Deus estão covardemente se escondendo no sono da indiferença. Já não faz mais sentido uma “alma”. A coerência dos fatos está vindo de fora pra dentro das nossas comunidades. Os de fora estão se mostrando mais zelosos do que os de dentro. Eles estão orando e clamando aos seus deuses. Milhares de centros de candomblé recebem um número absurdo de pessoas que vão até lá em busca de solução pra problemas da alma. Quantos estão prostrados neste exato momento diante de imagens que não falam, não ouvem e nada podem fazer. Enquanto isso, não fazemos uma oração sequer ao Deus criador de todas as coisas. Que vergonha! Essa é a expressão correta. Como no navio onde Jonas estava, ainda hoje os “marinheiros” precisam chamar os cristão para orar. Nada substitui a oração na vida do cristão. Assim como Jonas, muitos tem em sua mente a teologia ortodoxa, mas o fogo da consagração que traz obediência não arde mais em seus corações. Acorda cristão!

 

Boaz A. Sperber

Poço furado


No relacionamento de Deus com Israel, sempre houve histórias e fatos que marcam nossas leituras no Antigo Testamento. É impressionante o cuidado que Deus tem com o Israel do Antigo Testamento. Desde o livramento do Egito, a caminhada pelo deserto, o maná que caia com o orvalho todos os dias, a água que jorrava da rocha, as roupas e calçados que não terminavam, enfim, é uma história incrível de um Deus cuidadoso com seu povo. O povo teve a oportunidade de um relacionamento ímpar com Deus e não aproveitou esse momento. Ao contrário o povo se afastou de Deus de forma idólatra e carnal. O texto de Jeremias 2:13 relata bem o que Israel fez com o Senhor nosso Deus. O povo estava vivendo com o “manancial” de águas e o trocou por cisternas rotas. Uma comparação bem interessante. O que Deus quer dizer é que o povo tinha com Deus, água limpa, pura, coisa boa. O manancial era uma fonte que jorrava água todos os dias. Não era água parada que se acumulava em poços quando chovia. Era uma nascente que “produzia” água a todo o momento. A vida com Deus é assim: uma fonte de águas novas a todo o momento. Uma fonte tão poderosa que nos alimenta diariamente e ainda nos leva a jorrar água aos que estão próximos a nós. Israel, não percebendo isso, cometeu dois pecados com este manancial: 1. Abandonou o manancial de águas vivas. Ainda hoje muitas pessoas, abandonam Cristo, o manancial de águas vivas. Largam a fonte da vida e do vigor. 2. Cavam pra si cisternas rotas. Cisternas são poços cavados pelo Homem para armazenar água da chuva. Essa água pode saciar a sede, mas ela conta com a sujeira que é trazida com a água escorrendo pelos montes e valados para dentro do poço. Além disso, a água fica parada dentro do poço, sofrendo a ação do sol e de outras intempéries. Se isso não fosse o suficiente na comparação, essa cisterna era rota, isto é, rachada. Era uma cisterna furada. Além de ser água da chuva que se acumulava, o poço estava furado. Não podia sustentar a água acumulada da chuva. Que problema pra um povo que depende de água para sobreviver.
Pessoas fazem o mesmo hoje. Sem se dar conta, largam Jesus e correm atrás de outros “fenômenos” espirituais e no fim percebem que abandonaram o manancial de águas e construíram para si cisternas rotas que não saciam a sede como deveria. Poços furados que não armazenam aquilo que cai dentro deles.
Tem um jeito de mudar isso: abandone esse poço furado e corra pra o manancial de águas, Ele está disponível ainda hoje pra você. Jesus te espera ainda!



Boaz A. Sperber

Avivamento SIM!

Esse termo é muito expressivo dentro do “mundo” cristão evangélico e tem maior influência dentro da tradição pentecostal. De certa forma, o avivamento é de extrema necessidade em nossos dias, aliás, ele sempre foi necessário em todos os períodos da história humana. Temos que somente destacar o que é realmente avivamento. Analisando o que diz o Wikipédia, o termo é associado à acontecimentos, moveres espirituais, em que há transformação de vidas. Isso tem base importante nas escrituras, não somente no NT, mas no AT,  onde vimos esses acontecimentos transformar a vida de nossos irmãos na fé como Abrrão, Isac, Jacó, entre outros. O NT traz uma ação poderosa do Espírito Santo gerando esse avivamento nos levando a mudar características de nossas vidas que desagradam a Deus. Esse processo de ser impactado pela ação de Deus produzindo arrependimento e nos levando próximos Dele, é avivamento. Pra mim o tema tem profunda relevância no atual contexto e precisa ser tratado de forma original e responsável. Ouvi ontem, um determinado “irmão” comentando o seguinte: “Minha igreja está passando por um grande avivamento. Todos os dias pessoas são renovadas; existe muita ação do Espírito e se torna impossível segurar as emoções”. Isso é muito bom! Porém, isso não significa que estão passando por um verdadeiro avivamento. Avivamento necessariamente produz mudança de vida. Mudança de conduta. É inevitável fazer alguns julgamentos (perdoem-me). Não acredito em avivamento genuíno quando o sujeito não muda de conduta. Avivamento transforma a vida do sujeito. Não concordo com cristãos “avivados” que continuam a andar de forma sensual, lasciva. Não acredito em cristãos avivados que continuam mentindo e murmurando da vida de outras pessoas. Não entendo como cristãos que estruturam seu relacionamento com Deus em barganha de dar pra receber; de pagar “penitência” pra serem atendidos, podem se auto-nominar avivados. Creio sim, em avivamento quando Deus se torna condutor de minha vida. Quando minhas obras carnais são deixadas de lado e agora passo a viver uma nova vida em Cristo Jesus. Creio em avivamento quando abandono uma vida escravizada pelo pecado e passo a ser santificado pelo Espírito Santo. Creio em avivamento quando este é alicerçado em oração, leitura bíblica e arrependimento. Chega de avivamentos mentirosos que procuram massagear o ego de homens e mulheres prazerosos em satisfazer seus desejos hedonistas. Avante ao avivamento produzido pelo desejo de intimidade com Deus através de Palavra, Oração e Arrependimento. Que sejamos todos cheios de Deus a ponto de causarmos barulho dentro de muitos corações causando constrangimento pelo pecado. Precisamos voltar ao Evangelho já!


Boas Alberto Sperber

Precedentes do Pentecostes: Esperar


Se existe algo que faz a diferença em nossa vida cristã é esperar em Deus. Esperar com paciência no Senhor ainda é uma necessidade grandiosa para os dias de hoje.
Jesus havia feito a promessa de que o Espírito Santo seria enviado para capacitar os discípulos com poder, mas isto estava alienado à esperar em Jerusalém até o momento em que o Espírito fosse derramado. Deus havia dado uma ordem expressa de esperar. A promessa seria de fato realidade depois de uma paciente espera. A data do cumprimento da promessa? Jesus não traz uma data específica, existe apenas a promessa que se tornaria realidade “não muito depois destes dias”. O que fazer enquanto esperamos? Três coisas são importantes enquanto esperamos o cumprimento da promessa de Deus na igreja: a) perseverar: esse termo significa dar continuidade com firmeza àquilo que já estava sendo feito. Ou seja, prosseguir fazendo o que Jesus ensinou. Pra isso é determinando termos uma base sólida. A grande maioria das pessoas não passa pelo período da espera porque não tem base pra esperar; b) unanimidade: no caso da igreja, é preciso que todos estejam focados no mesmo alvo. Isso se torna ainda mais impressionante quando notamos a diferença de personalidade de cada um dos discípulos de Jesus. Humanamente falando, não é possível estarem no mesmo grupo, esperando a mesma promessa, pescadores e publicanos com zelotes e outros. Isso é impossível. A unanimidade só se torna uma realidade na igreja quando existe a ação do Espírito Santo de Deus. Somente ele pode unir pessoas de diferentes raças, níveis sociais, pensamentos em torno de um mesmo objetivo; c) oração: a oração ainda é o melhor veículo para um avivamento verdadeiro (junto com a Palavra). Todos os grandes avivamentos da história se deram através de um movimento de oração e súplicas. Orar é um ato de dependência. Ela marca o espantoso crescimento da igreja cristã. Mais do que nunca estamos necessitando de um poderoso movimento de oração em nossas comunidades começando antes, claro, dentro de nossos lares e de forma individual.
Quando esperamos perseverando com unanimidade em oração e súplicas, a promessa de Deus nos é enviada.
Minha oração é que o Espírito Santo nos desperte o entendimento para uma espera sadia para sermos testemunhas de Jesus até os confins da terra.

Boaz Alberto Sperber


Porque não frequento uma megaigreja (pra pensar)


Resisto à tendência das megaigrejas, preferindo lugares menores, longe dos holofotes. Nunca entendi completamente o porquê até descobrir por acaso esta observação paradoxal na obra Hereges, de G. K. Chesterton:
“O homem que leva a vida numa comunidade pequena vive num mundo muito mais amplo. (...) A razão é óbvia. Numa comunidade grande podemos escolher nossas companhias. Numa comunidade pequena nossas companhias estão escolhidas para nós.”
Precisamente! Podendo escolher, tendo a associar-me a gente como eu: gente com um diploma universitário, que bebe café na Starbucks, ouve música clássica e compra carros com base nas avaliações de consumo de combustível da Agência de Proteção Ambiental. No entanto, a companhia de gente como eu logo me aborrece. Grupos pequenos (e igrejas pequenas) me forçam a ficar lado a lado com todos os demais.
Henri Nouwen define “comunidade” como o lugar onde a pessoa com quem menos desejamos estar sempre está. Muitas vezes nos cercamos de gente com quem mais queremos conviver, e isso forma um clube ou uma panelinha, não uma comunidade. Qualquer um pode forma um clube; exige-se graça, visão compartilhada e trabalho duro para formar uma comunidade.
A igreja cristã foi a primeira instituição da história a reunir em pé de igualdade judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e homens livres. O apóstolo Paulo foi muito eloquente acerca desse “mistério que, durante épocas passas, foi mantido oculto em Deus”. Formando-se uma comunidade de membros diferentes, disse Paulo, temos a oportunidade de chamar a atenção do mundo e até mesmo do mundo além do nosso (Ef 3:9-10).
Sob alguns aspectos, a igreja fracassou tristemente nessa tarefa. (Concordo, Billy Graham, 11 horas de domingo é ainda a hora em que há mais segregação nos estados unidos). Mesmo assim, até igrejas em que 100% dos membros são brancos ou negros exibem diversidades de idade, educação e classe econômica. A igreja é o único lugar que eu visito que junta gerações: bebês que ainda mamam, crianças que contorcem e sufocam risos nos momentos menos adequados, adultos responsáveis que sabem como agir apropriadamente em todas as ocasiões e idosos que cochilam se o pregador estica demais o sermão.
Procuro deliberadamente uma congregação que inclua gente não igual a mim e percebo que é mais difícil evitar gente assim em igrejas menores.

Philip Yancey – Sinais da Graça – pág. 167.
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